sexta-feira, setembro 16, 2016

SUICÍDIO, MEU DEUS!?

Duas razões pelas quais deixei passar uns dias do impacto para abordar o assunto do provável suicídio de um irmão: em respeito à dor dos que lhe foram próximos, e com respeito à lembrança de minha própria dor. Tive de lidar com meu próprio coração diante de eventos semelhantes ocorridos na família natural e na família da fé. Ansiei por respostas para questões próprias de criaturas criadas para a eternidade e submetidas ao temor da morte (Ec 3.11). Respostas às minhas dores e dúvidas, e respostas de consolação para os que foram abandonados, feridos da morte de alguém. Nossa alma grita uma e outra destas dores: Oh! Meu Deus!? Pode, um crente, cometer suicídio? Era salvo? Perdeu a salvação? E eu, como fico diante do testemunho do evangelho aos fracos e aos perdidos? Será que falhei para com ele? Será que Deus falhou?

De todas essas, a interrogação que poderá, ou não, ser altruísta talvez seja a primeira. As demais tendem a ter mais conosco mesmo. De fato, nossas perguntas imediatas poderão cuidar mais de nossa fé do que da fé de quem tirou a própria vida. Deus, contudo, quer que o amemos sobre todas as coisas e, ao próximo, como a nós mesmos. Alguém disse, com razão, que ninguém pode julgar o coração de uma pessoa – só o Espírito de Deus e o do indivíduo poderão conhecer o seu íntimo (ICo 2.11). Neste caso, lembremo-nos de que o Senhor é Deus de vivos, não de mortos (Lc 20.38), e ele quer que cada um de nós esteja prevenido para não cair em tentação e para ajudar a outros (1Co 10.12; MT 26.41).
Assim, eis alguns pontos cruciais:

·                        Tirar a própria vida em função de desespero é um pecado de desamor e de ingratidão em relação a Deus, e de falta de amor e de desprezo pela vida dos outros. Ao contrário, dar a própria vida por amor de alguém é uma suprema validação do amor. O exemplo supremo e de significado único é o do Senhor Jesus que, espontaneamente, deu a sua vida por amor de nós (Lc 10.18). Seu amor jamais falha e a morte dos seus santos é o cumprimento da promessa (Jo 11.25).  Em termos humanos, há o exemplo de Sansão (Jz 16.28-30), cuja morte cumpriu o juízo de Deus. Há, também, o exemplo do apóstolo Paulo, que tinha o desejo de partir para estar com o Senhor, mas, por amor dos irmãos, escolhia ficar (Fp 1.23-24).
·                        O Senhor Jesus é o vencedor da morte, e, isto, em dois sentidos: (1) ele morreu para a redenção dos eleitos e para a condenação dos ímpios; e (2) ele ressuscitou para conceder vida eterna aos que são seus. Isso significa que nossa vida eterna está nele e nada, nem ninguém, a poderá tirar, seja algo seja alguém seja eu mesmo (cf. Rm 8.33-39), pois ele nos justificou de todo pecado, incluindo o do suicídio ou o da falha em ajudar a alguém com tendência suicida.
·                        De algum modo, o suicídio está ligado à depressão, mas não poderá ser reduzido a uma experiência psicológica. Como disse J. Black (CCEF), pensamentos e experiências afetivas que finalizam na decisão de cometer suicídio procedem da mesma fonte que a depressão leve, isto é, o coração (Pv 4.23). Não podemos nos esquecer é que todos os nossos pensamentos e afeições giram em torno do tipo de relacionamento que temos com o Senhor. Assim, quando pretendemos fazer cessar a dor ou o sofrimento – desapontamento, abandono, perseguição, culpa, ira, medo, perda, e daí em diante – por meio outro que usurpe o senhorio de Cristo, soberano sobre o nosso querer, sentir ou pensar, simbolicamente já atentamos contra a própria vida.
·                        Um ato de suicídio poderá estar ligado a formas mais severas de transtornos afetivos, cognitivos e ou biológicos. Ainda aqui, temos de manter em mente que a pessoa é singular, e que os diversos aspectos da alma interagem no homem interior e se exteriorizam e finalizam nos atos do corpo. Consequentemente, as afeições do coração – expressadas em pensamentos, sentimentos e comportamentos – são experimentadas em termos químicos hormonais nos processos orgânicos. Abuso de drogas poderá produzir pensamentos suicidas; até mesmo, remédios receitados poderão modificar os processos mentais. Onde isso nos leva? Tanto ao fato de que as coisas que sentimos, pensamos e atuamos na mente ou no corpo, poderão alterar nossa disposição física, quanto ao fato de que nossa disposição física poderá alterar o nosso equilíbrio interior. Nessas situações, haverá necessidade de intervenção especializada, de conselheiro e de médico (às vezes, com urgência). Note que, uma vez que nossa vida está guardada em Cristo, será importante que o cuidador professe uma cosmovisão cristã, podendo contar com o auxílio de não cristãos providos pela graça comum para o caso de socorros emergenciais.
Estando cientes, portanto, do perigo envolvido nesta matéria, o cristão deve estar atento a alguns sinais (J. B. CCEF): (1) pensamentos repetitivos sobre terminar a própria vida, como única maneira de escapar à dor e ou ao problema; (2) uma visão de si mesmo que não inclui a habilidade de tolerar intensa pressão e ou dor interna; (3) um senso de isolação ou abandono acompanhado da crença de que outros significantes não podem, não querem ou não fornecem apoio, conforto ou cuidado; (4) sentimentos de desesperança, acompanhado da crença de não pode achar solução de um problema; (5) sentimento de dor psicológica, que parece intolerável, a qual a pessoa relaciona à sua incapacidade para satisfazer suas necessidades sentidas.

Além de solicitar auxílio de alguém com especialização em áreas da ajuda humana, o que uma pessoa regenerada poderá fazer para auxiliar alguém que mostre sinais de ameaça à própria vida? Primeiro, despertar esperança e responsabilidade por meio de confiar nela acerca de uma ação objetiva (p.e., “Prometa-me que você não fará nada que o fira e, se estiver sob essa tentação, ligue-me e espere-me”). Quando esse alguém estiver em condições de conversar, alimente a conversa de maneira sensata e amorosa. Não tente argumentar; faça perguntas que demonstrem as contradições e falsidades do seu autoengano. Conduza-o a desassociar as noções de dor e de necessidades sentidas; lembre-lhe de como Jesus suportou a dor como suprimento para a nossa verdadeira necessidade. Em uma intervenção pessoal, leve em conta que a redução realista do nível de sofrimento poderá mover a pessoa a escolher a vida (p.e., quando uma pessoa querida, cujo filho havia suicidado, perguntou-me: A dor não passa? respondi-lhe: Não, a dor não passa, mas a promessa de Deus é que ele aumenta a força dos ombros para que a possamos suportar – 1Co 10.13). Finalmente, mantenha em mente que é a Palavra de Deus, e não a sua, e que é o Espírito Santo, e não você, que são os poderes que Deus usa para, por meio de você, alcançar o coração do outro.

Ao considerar o tema do suicídio, a pessoa regenerada terá de manter os ouvidos atentos às palavras de Paulo:

Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida (2Co 1.8).

Somente o Senhor tem a última Palavra sobre alguém que tirou a própria vida. Somente o Senhor sabe sobre salvação ou perdição de uma pessoa. Somente o Senhor conhece as profundezas das afeições que moveram alguém ao suicídio. Nós, os sobreviventes, somos instados a cuidar de nós mesmos e da doutrina, e a cuidar uns dos outros. Ah! Que eu faça isto, em humilde oração!


Wadislau Martins Gomes

sexta-feira, setembro 02, 2016

DISCERNIMENTO, ENTENDIMENTO, CONHECIMENTO


Estava conversando com uma amiga sobre as diversas crises de fé que temos e que observamos na vida de nossos irmãos. São dificuldades na política atual, na ética que nos força e de cujos baixos não conseguimos escapar, da vida que nos cerca e que nós mesmos experimentamos, coisas que nos sacodem e, às vezes, nos devoram. “Quantos que corriam bem de ti longe agora estão, outros seguem, mas também sem fervor vivendo estão...“ (Hino Vivifica, 132 HNC). Muitas igrejas (e os indivíduos que as compõem) optam pelo que é conveniente, moderno, duvidoso, porque estão focados mais no pensamento do mundo do que no de Jesus Cristo, de quem tomamos o nome. Ao agirmos sem ortopraxia, anulamos qualquer ortodoxia que proclamamos. Alguns nem querem mais ser ortodoxos. Preferem ser atuais, e sua contextualização anula os textos firmes da Palavra da Verdade. Vemos a cada dia mais as características dos últimos dias, em que virão tempos difíceis. Como dizia um tio amado, mas enganado: Todos nós queremos um pouco de heresia. A advertência descritiva de Paulo ao filho na fé, Timóteo, está mais real que nunca:

Os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder (2Tm 3.1-5).

Pensando na mudança de paradigmas para algo mais bíblico, abri num trecho que eu tomara como temático para mim, sem prestar atenção ao contexto de Oséias. É o da conversão insincera de seu povo (“o vosso amor é como a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada, que cedo passa”- Os 6.4). Se estas palavras que eu desejava, viessem de coração verdadeiramente arrependido, teriam sido muito mais cedo atendidas pelo Deus de misericórdia:

Vinde, tornemos para o Senhor, porque ele nos despedaçou e nos sarará; fez a ferida e a ligará... Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva; como a chuva serôdia que rega a terra (Os 6.1-3).

Deus quer de seu povo um coração contrito: “Misericórdia quero, e não sacrifício, e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos” (Os 6.6). Deus disse:

Semeai para vós outros em justiça, ceifai segundo a misericórdia; arai o campo de pousio; porque é tempo de buscar ao SENHOR, até que ele venha, e chova a justiça sobre vós. Arastes a malícia, colhestes a perversidade, comestes o fruto da mentira, porque confiastes nos vossos carros e na multidão dos vossos valentes... Quando Israel era menino, eu o amei, e do Egito chamei o meu filho. Quanto mais eu os chamava, tanto mais se iam da minha presença... Todavia, eu ensinei a andar a Efraim; tomei-os em meus braços, mas não atinaram que eu os curava. Atraí-os com cordas humanas, com laços de Amor; fui para eles como quem alivia o jugo de sobre as suas queixadas, e me inclinei par dar-lhes de comer... (Os 10.12-14; 11.1-4).

O convite insistente vem cheio do amor e da belíssima misericórdia de Deus, que nutre e que cura, que floresce e firma:

 Volta, ó Israel, para o SENHOR, teu Deus, porque, pelos teus pecados, estás caído. Tende convosco palavras de arrependimento, e convertei-vos ao SENHOR; dizei-lhe: Perdoa toda iniqüidade, aceita o que é bom e, em vez de novilhos, os sacrifícios dos nossos lábios... tu és nosso Deus; por ti o órfão alcançará misericórdia. Curarei a sua enfermidade, eu de mim mesmo os amarei porque a minha ira se apartou deles. Serei para Israel como orvalho, ele florescerá como o lírio e lançará as suas raízes como o cedro do Líbano. Estender-se-ão os seus ramos, o seu esplendor será como o da oliveira, e sua fragrância, como a do Líbano. Os que se assentam de novo à sua sombra voltarão; serão vivificados como o cereal, e florescerão como a vide... (Os 14.4-7).

Quando meu neto, Matthew, era pequeno, diferente dos outros que gostavam de arroz com caldo de feijão, e tudo mais, bem misturadinho no prato cheio, ele gostava de separar cada tipo de alimento, não permitindo que se misturassem carne, carboidratos e legumes verdes. Para ele, era questão de discernir cada comida e degustá-la separadamente. Se tivesse no prato arroz com feijão, era capaz de cuidadosamente tirar cada grão de feijão encontrado e colocá-lo num quadrante do prato diferente do de arroz. Depois, comia o arroz, comia o feijão, comia a carne e as verduras e legumes, cada coisa até terminar. Gosto de pensar nisso como a capacidade, desde cedo, de discernir entre um grão e outro, uma verdura e outra. Hoje, que é adulto, ele tem levado essa característica de discernimento aos outros aspectos da vida. Ah! Se entendêssemos que a palavra viva e eficaz de Deus penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, apta para discernir os pensamentos e do coração (Hb 4.12).

Uma das sequelas de um AVC sofrido em 2007 foi que perdi a cristalinidade da voz com que cantava sempre. Mas tenho me descoberto salmista de coração, mesmo com voz de taquara rachada, porque meu louvor não é fruto de voz e respiração treinadas. O meu louvor, como disse o autor de Hebreus, é fruto de lábios que confessam o teu nome (Hb 13.15). Para isso, tive de experimentar primeiramente a disciplina do Senhor, “para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade”, que produz fruto pacífico aos que por ela tem sido exercitado, fruto de justiça (Hb 12.11). Seja esta a oração de cada salmista de coração!

O brilhante Charles Wesley escreveu um hino dizendo “Mil línguas eu quisera ter para entoar louvor” (SH 211), e eu tinha o mesmo sentimento: queria saber expressar o louvor de inúmeros modos e acabo não conseguindo comunicar sequer em meu próprio idioma as profundezas e a amplidão do amor de Deus. “Faz-me conhecer os teus caminhos; ensina-me as tuas veredas; guia-me na tua verdade e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação,” diz o salmista (Sl 25.4,5). Quero, por esta razão, ter o discernimento, o entendimento e o conhecimento do Senhor conforme disse Jó: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora meus olhos te vêem” (Jó 42.5).

Elizabeth Gomes

terça-feira, julho 26, 2016

O QUE GUARDAMOS DESSES TEMPOS?



No dia quinze de julho, seis anos se passaram da morte de minha mãe. Agora, no dia quatorze de julho, 83 pessoas que gozavam o feriado nacional, em Nice, na França, foram atropeladas e mortas por um caminhão em mais um ato terrorista muçulmano. Outra centena de pessoas ficou ferida. No dia 11 de setembro de 2001, as torres gêmeas da cidade de Nova York foram atacadas por aviões suicidas, e mais de 3000 pessoas morreram em decorrência desse ato infame de terrorismo. Mais pessoas morreram ainda nos ataques coordenados a um avião e ao pentágono. Nos anos desde então, o mundo viu ataques terroristas a maratona em Boston, na França à editora de Charlie Hebdo, a supermercado kasher, a sinagogas, a boates e restaurantes, na Espanha, na Turquia, na Alemanha, em Orlando, em um parque no Paquistão, na Nigéria, em lugares sem conta e sem definição de raça (mas sempre vociferando contra o cristianismo). A maioria européia é pós-cristã, mas está sendo morta sob o nome de ‘cristãos’. Muitos estão temem de que as olimpíadas no Rio de Janeiro venham a ser outro cenário de terror, e outros muitos devolvem os ingressos que compraram para os jogos. E ainda existem milhares de pessoas no mundo que estão sendo atacadas e mortas por sua fé cristã.
A primeira data, o descanso de minha mãe, teve grande impacto sobre mim e minha irmã, sobre centenas de amigos e familiares, e pessoas que receberam seu aconselhamento e suas orações. Muitos missionários e obreiros sentiram a perda de uma mulher de Deus que em 86 anos tocou muitas vidas com o amor de Jesus. Mas não foi uma perda nacional ou internacional. Mamãe estava preparada para estar com Jesus—às vezes almejava ir e não sofrer ou ver mais o sofrimento de pessoas a quem amava aqui no mundo. Eu sinto sua falta, mas já a sentia antes, morando longe e só podendo visitar raras vezes e por pouco tempo. Mas não esqueço a data e, embora eu não estivesse ali no momento em que ela caiu ao atravessar a sala para pegar o aparelho de audição, guardo na memória cada detalhe que me foi relatado. Quero me lembrar, tintim por tintim, porque a história preciosa, recontada, marca minha condição de cristã madura, esposa, mãe e avó, com um vago sentimento de orfandade que se instalou. A minha cabeça até hoje vai cantarolando o Negro Spiritual norte-americano: “Sum’times ah feel like a motherless child’... a long way from home”.
Na verdade, ataques a gente comum, homens, mulheres e crianças, a homossexuais, a judeus, a cristãos, a pessoas de todas as raças e tribos, têm acontecido ao longo da história —desde que cometem o crime de serem “infiéis a Allah”. Infelizmente, muitas perseguições foram perpetradas por “cristãos” contra outros cristãos, judeus, e muçulmanos, na Inquisição. Um médico cristão que dirige o museu da inquisição em Belo Horizonte disse-me que um em cada três dos colonizadores do Brasil eram “novos cristãos”—judeus ‘convertidos‘ à força pela igreja católica romana sob pena de morte. Anda hoje conhecemos gente que viveu o holocausto na Alemanha e Europa Oriental. Ontem morreu um dos mais lúcidos pensadores forjados em Auschwitz e Buchenwald: Elie Wiesel. Eu convivi com um casal querido que foi vítima em Auschwitz e viu muitos dos seus familiares morrerem nos fornos. Hugo e Carole Rosenau se tornaram grandes amigos nossos, em Philadelphia, abençoando nossas vidas. No começo do século XX, os turcos realizaram o maior genocídio de armênios de toda a história, conforme testemunhou uma querida senhora, em Jaú. Ouvimos de gente perseguida na África, Ásia; e mesmo na América. A face da Europa está sendo mudada pela entrada de milhares de imigrantes refugiados, e vemos situações antes de ajuda e apoio tornando-se lugares de ódio e vingança.
Grande parte de nossa nação foi formada por estrangeiros—imigrantes, refugiados, perseguidos em outro lugar, que encontraram lar amigo aqui. Mas como no mundo inteiro, o Brasil está ouvindo vozes de ódio, e muitos atendem a esses sentimentos avessos que se manifestam desde ‘pequenos incidentes’ de preconceito até grandes perigos de terrorismo em massa.
Eu e você somos chamados a guardar na memória dias, meses e anos. Dias de graça, dias de fúria. Dias corriqueiros que só os mais próximos da pessoa ou do evento se lembrarão. Dias singulares que mudaram o curso da história. O tempo para quem passou dos cinquenta (ou sessenta, ou mais...) voa e não passa. Não temos tempo de fazer metade do que pretendemos realizar; temos tempo de sobra para remoer o que está errado nessa vida debaixo do sol. Comecei a escrever esse blog no dia que lembrava a morte de minha mãe. Ontem, quando retomei o assunto, as redes sociais comemoravam duas efemérides: Dia dos Avós, e Dia do Escritor. Participo das duas bênçãos: sou avó de sete netos, e escritora com sete livros publicados. O primeiro “dia” que alguns guardam me enche de orgulho humilde—aquele orgulho de gratidão, de saber que não fizemos por merecer, mas que a graça fez tudo. O segundo me humilha. Sou grata por ser, como o é meu marido e companheiro de vida, escritora. Mas sou humilhada pela imensidão de coisas e assuntos sobre o qual devo meditar na Palavra e escrever para gente que luta, como eu, para entender o que Deus quer de mim (de você). “Não há limite para escrever livros...” diz o Pregador—no entanto, sonho e me esmero por escrever algo que faça diferença em minha própria vida, e na vida dos que lerem. Frustro-me ao ver tão poucos lerem (até os que, orgulhosos, compram nossos livros e postam dizeres sobre eles, muitas vezes só passaram os olhos—não os leram, não os digeriram!). Tão poucos investirem o tempo e o cérebro para aprender mais da Palavra de Deus e aplicar essa Palavra em palavras que enriquecem o coração e a mente. E tenho de admitir que minha maior necessidade é aprender a guardar no coração o Livro-mor.
A Bíblia adverte a não guardar dias, meses, tempos (Gl 4.10) como leis que dominem o tempo e a hora em que estamos vivendo. Ao mesmo tempo, está cheia de advertências para guardar: guardar a boca, a língua, guardar o Dia do Senhor, guardar os preceitos, guardar o bom depósito, guardar os pés, guardar-nos do fermento dos fariseus, guardar-nos firmes, guardar a confissão, guardar-nos dos ídolos, guardar o amor e o juízo. Na minha chave bíblica, encontrei 121 referências bíblicas sobre guardar—o que me lembra o Salmo 121, que fala ainda de quem nos guarda: O Senhor é quem te guarda... guarda tua entrada e tua saída, agora e sempre! E o compilador de provérbios lembra o que engloba todos esses guardados:

Sobre tudo o que se deve guardar,
guarda o teu coração,
porque dele procedem
as fontes da vida. (Pv 4.23)

Elizabeth Gomes

segunda-feira, maio 02, 2016

CIDADANIA E JUSTIÇA EM VERDADE E GRAÇA


Quando eu estava visitando os Estados Unidos, pessoas me diziam: Até que você fala bem o inglês, para uma brasileira. No Brasil, apesar de eu ter vivido aqui desde os quatro meses de idade, tendo passado apenas três intervalos em que morei na America do Norte, diziam: Para uma americana, até que fala bem o português. Menciono a referência à língua porque a fala é a primeira indicação de origem e identificação do ser humano. Mesmo quem perdeu a capacidade de emitir sons tem uma linguagem em que se comunica, e essa linguagem “fala” ao seu semelhante.
Olho para as notícias políticas de meu país de origem e dá para desanimar. Supostamente, os favoritos são Donald Trump para os Republicanos e Hillary Clinton para os Democratas. O primeiro, com aparente grosseria para quem pensa diferente dele e uma vida regida e enriquecida, além dos grandes negócios imobiliários, pelas propriedades de jogatina e strip joints, não me parece oferecer base sólida para presidir uma nação. Hillary Clinton, por sua vez, pretende fortalecer sua agenda liberal pró-aborto e anti cristã do modo como sempre fez mesmo quando eminência parda do governo de seu marido Bill. Se tivesse de votar nos Estados Unidos, não sei o que faria.
“Aqui na terra tão jogando futebol, um dia chove outro dia nasce o sol...” e apesar da decisão do congresso favorável ao impedimento da presidenta que veio a simbolizar tudo que está errado no Brasil, na verdade não temos motivo de júbilo—a luta para a moralização na política apenas começou. Ficamos ambiguamente felizes com a atribuição de muitos agradecimentos a Deus, porque realmente ele é digno de toda honra, louvor e gratidão, mas, como gatos escaldados, questionamos a autenticidade cristã de muitos que falam em nome de Deus e têm em sua gestão política, “rabo preso”.  Ficamos agradecidos quando algumas vozes solitárias, como a da jurista Janaina Paschoal, se levantam no senado para falar do que realmente trata a situação atual de caos político. Temos de orar por nossa pátria, viver com disposição teorreferente e ações humanitárias despidas do humanismo agnóstico e revestidas de armadura bíblica para a batalha espiritual que já está sendo travada nos lugares celestiais como também em nosso planeta azul.
Não posso concordar com pessoas que se dizem irmãs em Cristo e preferem aliar-se a posturas marxistas do que com quem acredita e deseja viver conforme a Palavra de Deus. Por outro lado, não posso concordar com os saudosistas tolos que dizem ser solução a tomada militar. A injustiça e maldade humana, seja qual for o lado em que se posta, continua sendo injustiça.
Eu, que amo e me identifico com duas nações soberanas que exibem bênçãos e problemas diferentes uma da outra, tenho de voltar a identificar-me com outra terra cujo solo ainda não pisei: sou cidadã de um Reino invisível que engloba pessoas de todos os povos e reinos da terra.
Sou forasteiro aqui,
em terra estranha estou,
 celeste pátria, sim, é para onde vou,
embaixador por Deus do Reino lá dos céus,
Venho em serviço do meu Rei.
Porém, não posso me omitir ou ser irrealista com respeito ao lugar em que Deus me inseriu no tempo de hoje, agora, presente, atual. Um embaixador representa seu país e procura obter reconciliação de qualquer inimizade que haja entre seu país de origem e a terra em que vive. Não vendendo-se ao país em que está locado, mas buscando regeneração e reconciliação dos inimigos com o Deus Eterno a quem todos servem, de uma ou outra maneira.
Não podemos ser beligerantes que engulamos os erros e as mazelas da terra em que estamos—mas lutamos para que a pátria em que vivemos, criamos nossos filhos e construímos nosso lar, conheça o Rei e se reconcilie com ele, seja redimido e liberto. Essa libertação não é política: Jesus diz que conheceremos a Verdade e a verdade nos libertará. A servidão que vivemos ao Reino Eterno não nos escraviza, mas nos dá identidade: somos filhos do Rei dos Reis, herdeiros com Cristo de todas as bênçãos celestiais.
Aqui na terra, ele nos dá bênçãos terrenas: casa, algum conforto—mas estas não nos pertencem: usamos os bens que temos para engrandecimento e a gloria do reino que representamos. Temos de segurar com coração e mãos abertos, porque estes não nos pertencem.
Outras vezes, temos o privilégio de sofrer cadeias, perseguição e escassez.  Na verdade, eu nunca sofri cadeias e perseguição, exceto a insignificante “perseguição” que todos que desejam seguir a Cristo sofrem pelo seu semelhante descrente. Mas estou atenta ao mundo todo, e conheço irmãos que hoje sofrem horrores pelo simples fato de se identificarem como cristãos.  Cristãos na Síria e no Iraque, no Sudão e no Paquistão, na Arábia Saudita e Afeganistão e em muitos lugares que não imaginamos, sofrem. Crentes em Cristo aqui no Brasil, em favelas bem como grandes casas tradicionais, sofrem mazelas e abusos, alguns visíveis, outros invisíveis e ignorados. Paulo o apóstolo dizia que “será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte. Porquanto, para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro (Fp 1.20-21). Mas é duro para uma pessoa do século XXI ter tal fibra diante do sofrimento... talvez porque não tenhamos visão do que realmente importa.
Ontem uma irmã de nossa igreja que trabalha com refugiados trouxe à IPP alguns novos amigos: uma família muçulmana, jovens da Síria e de Angola—e eles ouviram o evangelho. A pregação foi dirigida especialmente a nós crentes em Cristo, falando sobre a mente de Cristo versus a sabedoria do mundo. Mas tocou a todos nós: sábios e estultos, que abraçamos a loucura deste mundo tenebroso ou procuramos a sabedoria de Jesus Cristo—porque fato é que somos tendentes a fazer ambas as coisas ao mesmo tempo, do mesmo modo que temos a ambiguidade de sermos embaixadores de outro país com a tendência de adotar atitudes e ações do país em que vivemos, ao qual deveríamos ministrar. Espero que os muçulmanos que perderam seus pais e seu país (outrora lindo, e de onde veio Paulo) tenham sido tocados pelo amor de Cristo e voltem e se tornem parte da família de Deus. Fiquei tomada pela advertência:
Ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso: seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, sejam as coisas presentes, sejam as futuras, tudo é vosso, e vos, de Cristo, e Cristo, de Deus (1Co 3.21-23).
Nada tendo, mas possuindo tudo, aprendamos a viver contentes em toda e qualquer situação (Fp 4.11-13). Não somos anarquistas nem monarquistas, não brigamos pela “democracia” demagógica nem pela república federativa que amamos, mas para servir, espelhar e espalhar o amor de Cristo a todos quantos estão próximos ou longe de nós. Para isso temos de ser sábios e leais. Como ter a mente de Cristo? Tem de habitar ricamente em nós a Palavra de Cristo:
Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração. E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai (Cl 3.16-17).
Interessante que este mesmo trecho de Colossenses, sobre como ter a mente de Cristo, aplica os conceitos de nossa pátria de origem e residência final aos trâmites da justiça e da injustiça da terra em que vivemos aqui e agora:
Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo; pois aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita; e nisto não há acepção de pessoas. Cl 3.23-25).

--Elizabeth Gomes

terça-feira, março 29, 2016

PENSANDO NA BAGUNÇA AQUI DE CASA, E NA HABITAÇÃO EM CRISTO


Há semanas tenho comichão nos dedos e cutucão no pensamento para escrever um novo blog.  A preocupação com as responsabilidades assumidas, porém, e a própria dureza dos dedos (a artrose indica que estou jovem a muito mais tempo do que pensa minha cabeça) faz com que eu seja lerda em responder a esses leves (e de vez em quando fortes) empurrões. Depois, tem a questão da dureza de coração. A constatação em que Paulo descreve sua própria vida, em Romanos 7.15-23, é realidade na minha—ainda bem que “nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1).
Ontem, depois de um maravilhoso culto ao Senhor em que a Palavra foi explanada pelo meu pregador predileto, uma irmã agradeceu por uma postagem que compartilhei a algumas semanas que trouxe consolo após a morte de sua mãe. Fui estimulada a escrever mesmo quando não me vejo capaz, mesmo quando há outros que escrevem mais e melhor do que eu, mesmo que doam as mãos e o coração. Jesus assegura minha morada, ou, conforme disse meu escritor predileto no seu livro “Personalidade centrada em Deus” (a ser publicado em breve):
Encontro em Cristo habitação (lócus e fócus) , pois ele veio para a habitação que lhe pertencia e que ele mesmo havia criado para o homem, mas o homem não o recebeu como sua própria habitação. Antes, seguiu vagando pelo deserto em busca de miragens de habitações criadas pela imaginação humana. Moveu-lhes o desejo de controlar seu próprio mundo, de pertencer à terra em vez de reinar sobre ela, de ter autoridade sobre todas as coisas e pessoas. Fora do Éden, no deserto da autonomia, tudo é árido e solitário. Somente a graça de Deus pode fazer companhia à alma e dessedentar o coração.
Nesse mundo árido e solitário, a alma é dessedentada pela própria Água Viva e a mente é estimulada a pensar e agir. Parece um pouco com a cena atual de Refúgio a partir da janela de nossa casa: vejo a paineira em flor, rosas do jardim, e no local da churrasqueira, uma bagunça total de múltiplas obras a serem acabadas: alvenaria, marcenaria, fiação elétrica, coisinhas pequenas e grandes coisas a serem realizadas aqui e agora.
Nós cristãos temos esperança para o futuro, não só de “torta no céu” com uma visão escatológica conforme 1Ts 4.13-18, mas também de sermos instrumentos transformadores no futuro próximo, fazendo  diferença no mundo em que vivemos, consertando aquilo que nós podemos mudar , deixando-o mais belo e útil para a glória de Deus, provocando em nosso irmão de carne e sangue fome da palavra, e em nosso irmão em Cristo, disposição de ser sal e luz num mundo que jaz no maligno.
 Às vezes dá uma coceira de amargar para comentar sobre política e situações insuportáveis nesse nosso mundo tenebroso. Vontade de endireitar o que está errado, ou pelo menos protestar veementemente. Não somos vaquinhas de presépio—estamos em guerra e a luta não é contra carne e sangue. Tenho de me lembrar de Neemias que estimulava seu povo à reconstrução dos muros de Jerusalém: trabalhavam com uma das mãos e com a outra seguravam a sua arma (Ne 4.16-23). A meta era firme e o método exigia perícia: pá de pedreiro com espada de defesa, carregar tijolos e pedras e simultaneamente portar armas! E descubro em minha pequena tarefa de comunicar a Palavra de Deus de modo simples e prático que simultaneamente sujo as mãos plantando flores e mexendo na cozinha. Verdade, de vez em quando deixo a desejar no que realizei ao computador, e depois de cinqüenta anos de cozinha às vezes queimo o feijão. Mas estou aprendendo. Uma coisa de cada vez, cada coisa carregada de simplicidade e igualmente importante.
E fico contente com a irmã que compartilhou que o meu compartilhar foi bálsamo para seu coração.

Elizabeth Gomes

domingo, fevereiro 14, 2016

MISSIONÁRIOS DE SEGUNDA GERAÇÃO



-- É uma temeridade querer criar filhos nesse fim do mundo, sem os mínimos recursos. Não quero saber de neto bugre. Vocês estão jogando para as traças a todos os recursos que eu providenciei a duras penas, toda a educação primorosa que receberam. Com o estudo que você tem, poderia ser importante na vida.

A mãe  que sempre lutou para vencer no mundo profissional estava apavorada com a idéia dos filhos irem a um campo missionário distante. Como não conseguia convencer a filha adulta, apelou para a possibilidade de netos nascerem no meio da selva. Repetia a ladainha de tantos outros que  temem que as crianças de missionários sejam privadas de todas as coisas boas da civilização.

Vinte anos depois, sem ter feito cursinho, sem ter os benefícios da civilização, o “filho bugre” neto dessa senhora entrou numa prestigiosa universidade, e desenvolveu sua carreira acadêmica com nota máxima. Era alegria e motivo de gratidão dos pais que continuam ativos no trabalho para alcançar um povo “que não têm nenhuma importância no mundo e nem aparece no mapa do Brasil”. Estou falando de filhos de missionários. O preconceito de muitos familiares cai por terra, e a senhora avó descrente (se bem que ela, frequentadora ativa de igreja, rejeite esse rótulo) descobre que o neto que veio visitá-la tem postura simpática e inteligente.

Um dos argumentos que este mundo pós cristão usa contra o trabalho missionário é que os filhos serão privados da educação, do convivio com pessoas de seu próprio ambiente de origem, de qualquer possibilidade de crescer e se tornar “alguém” na vida. Aqui não ouso oferecer uma pesquisa científica do trabalho missiológico dos últimos anos. Mas uma olhada de relance na vida das pessoas que optaram por uma dedicação plena, servindo a Deus num “ministério” e ao próximo em campos distantes que divergem da “vida normal” de classe média ocidenta mostra que bom número dos filhos de missionários e pastores, longe de serem prejudicados pela dedicação a Cristo de seus pais, foram abençoados e conseguiram brilhar além de qualquer de seus pares educados no mundo competitivo de cultura pós moderna. Descubro ainda que muitos grandes servos de Deus no cenário mundial e em nosso próprio país tiveram a vida “errática e acidentada” de filho de missionários. Pessoas a quem consideramos mentores e marcadores da vida cristã, como Dr. Russell Shedd, Dr. Davi N.Cox, a Sra. Edith Schaeffer, eram todos filhos de missionários, criados por pais que entregaram tudo para servir a Deus em meio a um povo que não era de sua origem. É surpreendente o número de missionários de segunda geração (ou terceira, (e como o caso da família Gordon, que fundou o hospital evangélico de Rio Verde, vai para a quarta geração de servidores; os filhos e agora netos dos Cox estão engajados no ministério cristão de tempo integral) que, com dedicação e alto padrão de excelência, continua missionária bivocacional.

Para o cristão reformado e missional, não existe uma casta à parte dos que estão no trabalho missionário  diferente de qualquer crente em Jesus Cristo que desenvolve sua profissão coram deo. O livro  “O chamado” de Os Guinness, elucida bem nossa posição. Somos todos chamados para amar e servir a Deus e ao próximo, quer em vocação “secular” corriqueira quer em serviço eclesiástico ou paraeclesiástico de tempo integral. Como servidora no lar e tradutora de livros, ou minha amiga médica servidora pública que tem também clínica particular e é mãe de crianças ativas, ou minha amiga que abriu mão de um casamento há cinquenta anos, já trabalhou com três grupos indígenas traduzindo a Palavra de Deus e elaborando cartilha prática para um pequeno povo brasilíndio antes ignorado—nossa missão é onde estamos, no ambiente em que Deus nos coloca, vivendo cada dia comum, tendo em vista a eternidade. Alguns de meus amigos gastaram anos de preparo e hoje estão “no meio do mato sem cachorro”—que aos olhos do mundo corrupto e cheio de sofrimentos constantes parece um “desperdício”—mas têm em vista valores que não podem ser roubados e a percepção de valor pessoal com peso de glória. Os Norval e Lau, Cléo e Raquel, Fábio e Lucila têm brilho para desenvolver um trabalho profissional que marque o país—usam, porém, a profissão e o preparo para ajudar povos desprezados e esquecidos a conhecer e compartilhar a glória de Deus. Outros casais cristãos vivem seu ministério como advogados, servidores públicos, pastores e professores, odontólogos ou nutricionistas, também demonstrando a glória de Deus em serviço ao próximo. Quer sejam sustentados financeiramente pelo fruto do próprio trabalho quer por igrejas parceiras em sua missão, têm a consciência de que são servos, não donos do mundo—e o fazem com dedicação total. Seus filhos aprendem e imitam mãe e pai em missão.

Alguém poderá enumerar as desvantagens de os filhos crescer sem frequentar as escolas de vanguarda da cidade. Mas esses meninos têm escola de línguas in natura, geralmente falando mais que um idioma sem seus pais pagarem um centavo para garantir professores de fala nativa. Às vezes os próprios pais missionários educadores dão a seus filhos ainda bem novos, além do currículo exigido pelo MEC, aulas de antropologia prática, linguística aplicada, e teologia bíblica para seus rebentos—sem a presença de bullying, as tentações de abusos da televisão e internet, e certamente sem as distorções que nossos jovens da cidade testemunham diariamente em suas escolas. Claro, chega uma hora que o filho tem de estudar em um centro cultural na cidade—mas viveram a cosmovisão cristã de seus pais missionários antes de ser inseridos na roda viva da descultura brasileira.

Pode ser que pais missionários negligenciem ou destratem seus filhos, por estarem ocupados demais nas coisas do reino de Deus? Sim, é possível, mas é mais provável maior negligência da parte de pais que dividem a vida entre o secular e o religioso no mundo “normal” de carreira profissional, pelo acúmulo de bens e de carga horária longe de casa, que sacrifiquem seus filhos e o próprio casamento. Dedicar-se ao missional condiz bem com ver sua primeira missão depois de glorificar a Deus como sendo ministrar em amor e bondade à família—o que dá exemplo de prioridades e princípios para aqueles a quem ministram.

Os filhos de missionários podem sentir que faltou dinheiro, conforto, recursos porque seus pais escolheram uma vida de sacrifício? É possível se ressentirem—se os pais deixaram de contar as bênçãos e se lamentaram do que não tinham ou não puderam fazer ou dar aos filhos. Porém, se a atitude dos pais for de enumerar as misericórdias do Senhor diante dos filhos e do mundo, considerando o privilégio de serem embaixadores do Rei dos Reis, sem a ganância de querer mais, transbordando do contentamento em toda e qualquer situação, esses jovens não vão ressentir as “faltas”que presenciaram. Isso vale para missionários transculturais, bivocacionais, ou crentes comuns em seu cotidiano que se enxergam como servos do Senhor quer como peões quer príncipes no mundo que Deus criou. Tem muita gente reclamando de crise e escassez num mundo onde escolheram desprezar os tesouros eternos—sem o atenuante do obreiro cristão que se descreve como  “nada tendo, mas possuindo tudo”.

Nem todo filho de missionário ou pastor nem mesmo do Seu Mário Crente Comum  é cristão comprometido com a Palavra de Deus. Sabemos de filhos de missionários que, rebeldes, deram muita dor ao coração de seus pais. Deus não tem netos—só filhos dos que creram em seu nome. Mas os filhos da promessa têm a vantagem de crescer em ambiente onde a graça do pacto de Deus os aninha e perturba até o ponto da conversão. Muitos filhos rebeldes são exatamente aqueles que mais impacto terão para o reino quando se convertem. Tais fostes alguns entre vós...


Há também aqueles incrédulos—mesmo entre chamados cristãos--que argumentam contra educar filhos missionalmente porque querem mesmo derrubar qualquer parâmetro “fundamentalista cristão”—preferem o fundamentalismo politicamente correto de vale tudo (exceto o cristianismo bíblico) de fazer as próprias escolhas sem ser tolhidos por Deus, igreja ou consciência cristã. Presos pelas cadeias do pensamento do mundo que jaz no maligno, atolam e se debatem na lama enquanto denigram os que educam na palavra em meio a culturas contrárias, preferindo assimilar vícios e negar as virtudes do ensino do livro de Deuteronômio bem como de Jesus que disse: “indo por todo mundo, preguem, batizando, ensinando...” Ignoram a promessa: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”.

Elizabeth Gomes

quarta-feira, fevereiro 03, 2016

PRAZER MOMENTÂNEO

De uma série de folhetos escrito por
diversos autores, dirigidos aos alunos
da Universidade Mackenzie.

Há quem pense que cristão não tem alegrias nem se dá ao luxo de prazeres. Ao contrário, um texto do Livro dos crentes, a Bíblia, diz ao jovem que se alegre na sua juventude e tenha prazer na sua mocidade, que satisfaça os desejos do seu coração e que agrade seus olhos. Tudo de bom, não é? Só que isso não significa liberação geral.

   A alegria não pode ser a máscara do choro
        nem, o prazer, a antecipação da dor.

Afinal, quem gosta de choro e de dor é viola. Assim, para manter a autenticidade da alegria e do prazer, o autor do texto, Salomão, prossegue, dizendo que toda alegria e todo prazer devem ser regrados por uma boa consciência diante de Deus, a fim de não virar desgosto de coração e dor da carne. [1]

Como disse esse sábio Salomão, o negócio de prazeres imediatos sem mediação de boa consciência nunca mede esforços nem consequências. Há alguns anos, saindo do prédio onde eu lecionava, logo ali na movuca da esquina, dei de cara com o filho de um amigo segurando uma garrafa de vodca. Ele me olhou como que esperando não sei quê, e disse: “É água. Tô só fingindo”. Saí meio rindo meio apreensivo. Afinal, já fui moço e tenho juízo suficiente para não dar uma de censor para a juventude. Confesso, no entanto, que o meu riso teve um tom crítico, especialmente com o cheiro acre de erva queimada, no ar, e o meu quase medo de esbarrar o carro numa perna estudantil. O que é que o cara estava querendo? Impressionar? Quem? Pra quê?

Se você quiser entender a dinâmica dos prazeres imediatos e a do verdadeiro contentamento, terá de manter em mente o mapa das motivações e dos desejos do coração. Esses são os temas-chave da vida – há sempre uma motivação e um desejo do coração por trás de todo comportamento. Um professor e amigo, Ed Welch, disse que o mundo dos prazeres imediatos é como o mundo dos relacionamentos mais próximos. A gente entra neles com todos os tipos de expectativas e esperanças. Gostamos de como nos sentimos na companhia de uma e outra espécie de droga, mas quando nos estendemos no relacionamento, começamos a perceber que há uma troca a ser feita. Qualquer que seja a droga (álcool, maconha, picada ou pó), há uma cobrança de cada experiência e de cada sentimento. O preço a ser pago é sempre maior do que o barganhado – mais aí já é tarde. Estamos comprometidos para a vida. Se permanecermos no compromisso, estaremos escravizados (que é o sentido de conjugal) se sairmos dele, seremos sempre um “ex-alguma coisa”.

O cristianismo da Bíblia não trata do uso de drogas por meio de moralismo, pois considera o próprio moralismo como qualquer droga, cheio de promessas e de nenhuma liberação. Pior, o moralismo escraviza por meio de exaltar a vaidade para, no final, agir exatamente como as drogas, dando um tombo na pessoa. Nas drogas, você será um “drogado”, saindo dela por sua própria vontade, você será drogados “de si mesmo”, cheio de vento e disposto a outras muitas vaidades. Poderá ser que encontre algum tipo de sucesso da empreitada de evitar ou de sair do engano do prazer instantâneo. Por isso mesmo devo deixar bem claro que uma pessoa somente poderá lidar de modo pleno com a questão dos prazeres imediatos – drogas, sexo livre, e toda espécie de mau-caratismo, seja para evitar entrar num compromisso firme ou para sair dele – por meio de uma transformação espiritual. Sem isso, será sair de uma viagem ruim para entrar em outra. Quer você esteja com uma garrafa de água, fingindo ser bebedor de vodca já pisando alto ou caçando frango, quer você tenha abandonado a chupeta, você estará fingindo ser o que não é. Fingirá alegria, fingirá ter prazer nas coisas, mas sem contentamento.

   A fim de encontrar satisfação pessoal verdadeira e a fim de evitar 
   ou sair de uma roubada você terá de conhecer suas próprias motivações, 
   conhecer seus desejos, e conhecer o contentamento verdadeiro.

Conhecendo as motivações do coração
                Pense um pouco sobre o que é que motiva o seu coração. Como disse Pascal, ele tem razões, e não é sem razão que o coração físico é figura do aspecto central da pessoa. Estende sua ação interior por todo o corpo e aparentemente reage ao ambiente batendo mais forte ou mais fraco. Aparentemente, digo, porque a pessoa não é dividida, e nenhuma de suas partes opera em isolação. É nele, contudo, que sentimos as mudanças do comportamento do corpo e da alma. Por isso é que se fala de motivos do coração. São motivos internos que também reagem ao ambiente externo. Alguns desses motivos são básicos e universais, isto é, estão na raiz dos nossos sentimentos e comportamentos, e todo mundo têm.

O cristianismo da Bíblia aponta para a pessoa humana como sendo criada por Deus com o propósito de refleti-lo e, assim, ser autêntica e contente com a própria condição. Dá para ver que hoje a coisa não é como deveria ser. O ser humano foi corrompido pelo pecado e vive com falta do conhecimento de seu Criador e de seu propósito como criatura. Nessa base, as pessoas são motivadas a procurar esse conhecimento.

O dilema humano nessa condição é tratado pela revelação de Deus como sendo de morte e de cegueira. A pessoa está morta espiritualmente e cega para as coisas de Deus. Num sentido, ela conhece a Deus porque a vida que tem no corpo é alentada por Deus que lhe dá, até mesmo, a respiração; noutro sentido, não poderá conhecê-lo se ele não se manifestar. Vem daí, então, que o coração sem Deus vive em um vazio interior, vendo o mundo exterior, nas palavras de Vinícius de Morais, como “bares repletos de homens vazios” (e olha que de copo e de vidas vazias o poeta entendia).

Motivados interiormente por um vazio existencial e exteriormente por tendências sociais formuladas por pessoas vazias, o que resta é repensar a natureza da vida que experimentamos e imitar as vidas de pessoas que igualmente se repensaram.

   Alguns têm motivações mais altas, outros, mais baixas, 
   mas ninguém poderá ir além da própria estatura moral adquirida 
   no conhecimento de si mesmo.

mal, num ? E piora! Sem um paradigma maior para refletir, refletimos o quarto escuro do nosso vazio interior e/ou o escuro do universo. É o oco do peito ou o buraco negro do lado de fora. E Tudo isso não ocorre sem peso. Tudo envolve a gente. Nossas motivações estão ligadas às pessoas. Tem gente que vive se protegendo de pessoas, tem gente que vive se distanciando de pessoas, e tem gente que vive contra as pessoas. Na verdade, esses movimentos, conjuntamente, fazem parte da dinâmica do indivíduo, mas um é caracteristicamente mais visível no comportamento.

De maneira geral, sem cair no risco de reducionismo, para conhecer suas motivações básicas você poderá se perguntar: o que é que eu quero?
(1)     Ficar na minha, vestido de esquisito, num canto, tentando puxar as próprias rédeas para ver se o pessoal nota e segue?
(2)     Ser a alma da festa, o sábio do rei ou o bobo da corte, que enche a cara ou enche os caras, mas segue, obsequioso?
(3)     Ser o chefe do grupo, na técnica ou na marra, líder da torcida e do esculacho?

As respostas, dadas de maneira consciente, honesta, proporcionarão uma idéia dos motivos do seu coração. Você poder tentar controlar seu comportamento, mesmo que seja para não passar vergonha, chamar a atenção ou dar uma de não tô nem aí (porque você está ali!), mas, fazendo isso, já teve seu comportamento controlado. Você pode tentar agradar as pessoas, mas jamais conseguirá agradar a todos, pois teria de ter mil caras para tanto gosto diferente – e ninguém gosta de gente de duas caras. Você pode, ainda, tentar mandar nas pessoas, mas terá de admitir que autoridade é força de caráter e não ferramenta de manipulação. No final das contas, controle, agrado ou ditadura estão todos ligados à manipulação.

O que é que essa tentativa de manipulação tem a ver com a busca do prazer imediato? A primeira parte da resposta tem a ver com a ferramenta social do admirável mundo novo, de ídolos substitutos ou de promoção. Autores, artistas, atletas, pais, professores, todos têm algo em que se encostar ou para alavancar a vida: comida, bebida, fumaça de baseado ou de óleo diesel, remédio sem prescrição ou bolinha. Crescendo nesse meio social, quando chega o tempo o voo solo, só podemos repetir o comportamento treinado. Isso por que somos socialmente motivados. A outra parte da resposta é a que se segue.

Conhecendo os desejos do coração
                Como dizia o bêbado do bairro, entre o engasgo e a careta, “Essa mardita é da boa”. A gente sabe que bolso de bêbado não tem dono, que depois do pó ou do pico a festa acaba para os sentidos, que o desvario sexual avacalha qualquer relacionamento – mas a gente gosta! Por quê? É claro que é porque é gostoso! E, no mínimo, por duas razões: uma é que poderá ser que a coisa seja gostosa e, a outra, que o nosso gosto seja deturpado. Não tem gente que come sei lá o quê?

                Os desejos do nosso coração são, coerentemente com as nossas motivações, interiormente nutridos e socialmente aprendidos. É impossível dizer onde começa porque é sistema de retroalimentação. Os desejos do meu coração são formados segundo minhas interpretações da realidade – na família, na vizinhança, na escola, na sociedade – e, daí em diante, elas dominam meu cenário de vida. Depois que o gosto foi criado, e só pensar que a boca já saliva.

Nós gostamos das drogas “sociais” por causa do que elas fazem por nós, ajudando-nos a lidar com nosso desejo de isolação (para longe de pessoas), com nosso desejo de pertencimento (para perto de pessoas) e com o nosso desejo de domínio (contra pessoas). Um pouco de droga pode fazer maravilhas para qualquer dessas motivações – até mesmo para caspa na sobrancelha. Algumas vezes, as pessoas mantêm uma baixa expectação da vida, e vão levando a existência, dopadas. Outras vezes, as pessoas dão de cara com a realidade e se deprimem, planejam mudar, mas o gosto da coisa é mais forte e o próprio sentimento serve de gatilho para o desejo.

   O cerne do problema é que esses ganchos de apoio acabam sendo 
   próteses do nosso ser. Apoios falsos que podem ser físicos (produtos) 
   ou simbólicos (em que até coisas boas podem escravizar alguém
    e roubá-los dos valores maiores da vida).

Nós amamos essas drogas como a um braço ou perna, e não estamos dispostos a removê-las da vida. Temos nossos momentos de ódio do mal-estar que elas podem provocar, e momentos de ambivalência, mas, no final, voltamos a elas porque queremos. Depois de um tempo, passamos a amar mais os ganchos falsos, as próteses, do que o nosso próprio corpo.

O Welch disse que isso é ambos, a lógica e a insanidade do abuso de drogas – e que essa parece ser a lógica e a insanidade da condição humana. Tal condição não se limita a abuso de drogas e álcool. É o mesmo princípio por trás da procrastinação, dívidas, excesso de comida, gastar tudo num jogo, colar na escola, e daí em diante.[2] Uma vez que estejamos escravizados aos nossos desejos, nas correntes de substâncias e de comportamentos, colocamos fé em sua satisfação como fonte de prazer e alívio. O problema com esse modelo é que o pretenso alívio é mero entorpecimento e, o prazer instantâneo, rápido e passageiro, deixando a gente com a boca com gosto de cabo de guarda-chuva ou de corrimão de escada.

Motivações e desejos do coração  
                Normalmente não se pensa do ateu como sendo idólatra – se não tem religião, como cultuar a ídolos? Sequer pensamos que haja ídolos seculares. Você talvez não tenha considerado que tudo o que colocamos como “salvador” para as nossas motivações e desejos trata-se de idolatria. Se você quer ver como um homem não cristão viu essa condição humana, leia o conto de Machado de Assis, Igreja do diabo. No conto, o diabo acusa os adoradores de Deus de fazerem o bem em troca de benefícios. Diz que, de noite, o povo abusa do mal. Deus permite, então, que o diabo troque o mal pelo bem. A partir daí, o mal é a coisa a ser feita. Acontece, porém, que, mostrando a origem boa do homem, o povo começa a sair em secreto, na calada da noite, para fazer o bem aos vizinhos e estranhos das ruas. Esse é que é o negócio – somos todos religiosos, quer ateus quer agnósticos quer religiosos de qualquer crença.

Você poderá, até mesmo, evitar as drogas ou sair delas por si mesmo, como já foi dito. Mas trocar o mal pelo bem, sem Deus, será apenas, como disse Machado de Assis, trocar a renda de uma toalha. A toalha é a mesma. As necessidades humanas que jamais poderão ser satisfeitas pela própria pessoa serão apenas trocadas por necessidades cada vez mais prementes e frustradas. É uma troca de ídolos. A única forma, portanto, de alcançar uma transformação de motivos e de desejos será por meio de conhecer a Deus como Criador e Salvador e, assim, conhecer a si mesmo como criatura.

Deus é conhecido em seu Filho, a Palavra Viva, sua única revelação pessoal, e isso, por meio da sua Palavra, a Bíblia, sua única revelação escrita. Segundo Jesus Cristo, toda a Palavra revelada se resume em “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Não quer dizer amor por si mesmo como base do conhecimento, mas amar a Deus primeiro e, depois, a si mesmo como objeto do seu amor. Quando você conhece o amor de Deus em Jesus Cristo – que  nasceu, morreu, viveu, ressuscitou e reassumiu seu lugar ao lado de Deus – toda a motivação de sua vida muda o lugar de perspectiva.

É uma mudança de natureza, um novo nascimento espiritual que fornece nova visão das coisas.
Aí, sim, seu desejo sofre mudança radicais. Antes, você não podia evitar a escravidão das motivações e desejos do coração. Depois dessa experiência, você ainda lutará contra as motivações do antigo coração e ainda desejará as coisas gostosas da vida. Mas terá uma nova consciência por meio do Espírito de Deus e de Cristo habitando em seu coração, e poderá fazer escolhas segundo a verdade e a bondade de Deus. Não haverá mais necessidade de fingir o que você não é nem de ser o que não quer ser, mas haverá, nas palavra da Bíblia, “um novo ser criado à imagem do Filho de Deus”. A comida e o vinho que ele serve, além de gostosos na boca, alegram a alma.

O problema dos prazeres instantâneos não é simples e não poderia ser reduzido, aqui, mas não será de difícil resolução, pois Deus já fez toda a parte complexa. Esta é uma introdução. Se você, no entanto, percebeu aonde estamos e aonde queremos chegar, a Capelania do Mackenzie tem pessoas preparadas para ligar com os aspectos espirituais, teológicos, psicológicos e físicos do problema. Procure um dos capelães. Não haverá juízo precipitado, mas ajuda verdadeira.

Wadislau Martins Gomes
Pastor presbiteriano (jubilado), autor de diversos livros, tradutor e conferencista. Desenvolve estudos e ministério na área do aconselhamento pastoral desde 1973. É professor visitante do Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper.



[1] Eclesiastes 11.9-10.
[2] The Journal of Biblical Counseling • Volume 16 • Number 3 • Spring 1998 23