quarta-feira, maio 10, 2017

BELEZA TEOLÓGICA SEM PRETENSÃO DOGMÁTICA





UMA INCURSÃO NA PALAVRA E NA MARCENARIA

Beleza só por beleza poderá ser pura vaidade – concluiu o hábil pregador das coisas do Criador e da criação. É como estudo e conhecimento, escrita e publicação, madeira e marcenaria: quando sem peso de glória, é mais para peso de gafanhoto. É correr atrás de vento de mocidade no tempo da penumbra, de fio de prata rompido, de nuvem chovida, e de pote quebrado junto à fonte. É como boca de beco, desafino de medo, e espanto sem grito. É ânsia de produção e aplauso sem apetite nem dente. 

Isso é, verdadeiramente, coisa séria para quem esculpe com palavras e harmoniza madeiras. Lá em casa, por exemplo, quando canso de uma oficina, vou à outra, acompanhado sempre da Palavra de Deus e da oração. Mudam as ferramentas, numa, o Aurélio, o Othon Garcia, e um e outro escritor de gosto (que de letras sei pouco) e, noutra, a serra, a plaina, o martelo e mais um sem número de apetrechos. Numa, o rasgo do texto abrindo a mente e, noutra, o traço na madeira e o risco de sangue na mão (que nunca passei de servente e aprendiz). 

Beleza ainda que por beleza além de linda será sábia e verdadeira se for bela como a santidade do Criador e como toda a palavra que sai de sua boca. Salomão relacionou a experiência das cãs à florescência da amendoeira. De fato, há paralelos interessantes entre o labor da palavra e o lavor da madeira. Há gramática, metro, conjugação, esquadro, conjunção, junção, e há estilos. As palavras cuidadosamente usadas, disse o Sábio, são como pregos bem fincados. 

Em quaisquer das responsabilidades e prazeres, o que eu peço é que Deus fixe suas palavras no meu coração e me conceda olhos e mãos para louvá-lo no uso da madeira. Que eu não use o estudo e a pregação da Palavra nem a escolha e o trato da madeira dos modos contra os quais advertiram os profetas: são como “espantalho em pepinal” e “ídolos mudos”. Antes, sejam as minhas palavras ricas como jóias e as minhas tentativas artesanais sejam obras santas como no Templo do Senhor. Sejam a minha teologia e a minha prática, figura pública e privada, mente e coração, e os membros do meu corpo, sempre fiéis a Deus e coerentes diante de Deus e dos homens, como as de Cristo no madeiro. 

Ah! E haja madeira boa para meus projetos – e madeira da boa para as minhas costas tanto para apoio quanto para disciplina.


Wadislau Martins Gomes

2 comentários:

Luciano E Silva disse...

Meus parabéns Lau por construir uma predica tão precisa. Deus o abençoe e o conserve em plena lucidez!

Apeles disse...

O Wadislau foi talhado pelo criador para Sua própria glória, demonstrando para todos o que Ele pode fazer quando um Seu Filho lhe obedece.