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domingo, setembro 30, 2012

PELE PARA FAZER CUÍCA


 
Clélio (nome fictício) veio a O Refúgio trazido de uma cidade vizinha. Não educado, 31 anos, mostrava a natureza do problema na pele afogueada, no cheiro acre e nas juntas inchadas. “Como é que soube a nosso respeito?” – perguntei, e a irmã atalhou: “Ele está bêbado que nem peru em véspera de natal”. O fato era que ele já vinha bebendo por vinte e dois anos e, os últimos dez, entrando e saindo de sanatórios. “Então, será possível ajudar? Podem fazê-lo para de beber?” – ela continuou. A sequidão da alma estava ali, implorando uma talagada de ajuda! Os familiares que cuidam de alcoólicos sofrem ressacas de desespero e mostram síndromes de abstinência de esperança como se fossem eles os escravos da garrafa! Bebem de um cálice de ira que jamais se esvazia e que nunca satisfaz.

Clélio dormiu o resto do dia e a noite toda. No dia seguinte, estava agitado e às voltas como animal enjaulado. Queria conversar, mas, tão logo nos assentamos em um banco de pau, sob as árvores à frente da casa, ele ora era tomado de choro ora de esquecimento. “Como eu poderia penetrar esse peito e alcançar esse coração curtido de álcool e de desgosto?” – pensei. Sobretudo, era difícil manter a atenção na pessoa e na situação, quando as palavras desencontram os gestos. Parecia um jogo de esconde-esconde: agora você me vê, agora não.

Na segunda noite, as coisas explodiram. Foi um pesadelo daqueles de que a gente acorda de susto e de peito arfando. Clélio, aos gritos, rodava no quarto e lançava objetos contra as paredes grossas do casarão antigo. Ao chegar à porta rústica e de gonzos e ferrolho de ferro, vi pelas frestas que ele tinha o cabo do machado erguido à frente e ao alto da cabeça, mãos na extremidade e junto do olho do ferro, pronto para deslizar e rachar a madeira. “Clélio – procurei manter a voz segura e calma – é o pastor. Lembra de mim?” Não estava seguro de que me identificaria, e nem estava calmo. “Sei quem é...” – ele gritou de volta. – “É o homem que vai me ajudar!” “Abre a porta. Vamos conversar.” “Com eles não tem conversa.” “Eles quem?” “Estão querendo tirar a pele da minha mãe para fazer cuíca!” Gastamos o restante da noite, conversando, do lado de fora da casa, no escuro. Clélio ia e vinha, da prostração à alucinação; apontava para as sombras das árvores, e repetia: “Lá vêm! Olhe! Estão chegando... já pegaram minha mãe! Não!”

A cuíca, na mão de um bom tocador, ronca, geme, ri e chora, e quase fala, marcando a cadência do samba. Na terra da minha infância, quando as festas do natal chegavam ao fim, crianças e donas de casa partiam para recolher os gatos, se não, “vira coro de cuíca”. Eu podia sentir o terror de Clélio, impotente para salvar a mãe de virar marcação de enredo no meio da rua. Ele estava totalmente embebido da situação. Percebia, via, pensava, concluía, sentia e se movia no drama pesadelo – e ele estava acordado! Estava?

O álcool altera o estado psicológico de uma pessoa de maneiras estranhas. Uma pequena quantidade reduz a inibição dos impulsos e, por algum tempo, poderá “elevar o espírito”, mas, na verdade, o álcool é um depressivo. Por isso é que a “alegria do copo” deixa a pessoa com aquele ar “bobo alegre” e, depois, rouba-lhe a alegria e deixa na alma um vazio que, ela acha, só será preenchido com mais um copo.

O que é que acontecia com o Clélio? Talvez, tivesse começado a beber para se sentir melhor, superar uma amargura, ira, ou apenas para lidar com uma inabilidade social. Qualquer que tenha sido a razão, ele se sentiu melhor depois de um gole – provavelmente, o mesmo efeito do ansiolítico ministrado no sanatório, da primeira vez que ele “deu uma de louco”. De início, ficava eufórico, até que a bebedeira progrediu para os estados de enevoamento, torpor e, mais tarde, de perda de consciência. “Já passei por todos os estágios” – ele disse – “alegre que nem macaco, bravo que nem cachorro, triste que nem sapo e largado que nem porco.”

De fato, parecia que Clélio mesmo já tinha sido esfolado e os sons que emitia eram os do ronco da cuíca. Não é nada fácil conversar com quem já perdeu as esperanças, ou melhor, com quem põe toda a esperança na próxima rodada. Um bom tocador tira música da cuíca, mas não tem conversa: cuíca “fala” e faz a gente sentir, ainda que o artista se cale quanto aos próprios sentimentos. Você já experimentou falar com uma cuíca? Foi assim que me senti, tentando conversar com Clélio. No entanto, eu estaria bêbado de ceticismo, se perdesse a esperança de varar a pele curtida da sua condição, para atingir a haste da miserabilidade da sua alma chorosa. Certamente, Clélio tinha um problema de apresentação com o álcool, mas, debaixo da pele, dentro do peito macilento, o ronco do coração era o problema verdadeiro: bêbados estão, mas não de vinho; andam cambaleando, mas não de bebida forte (Isaías 29.9).

 Clélio era dependente do álcool, mas seria esse o seu problema? Certamente, era um deles. Entretanto, não era o problema básico. Havia mais sob a pele macilenta que somente poderia ser acessado mediante adequado conhecimento dos diversos elementos envolvidos. Para isso, a Palavra de Deus fornece uma grade de escrutínio. Ele atravessou os anos, crendo que havia achado a fonte de satisfação para as suas necessidades. Estava triste? Bebia para se alegrar. Estava alegre? Bebia para comemorar. Culpado? Bebia para esquecer. Bebia até dormir, para acordar e, de novo, beber até que confundisse a noite com o dia. A tolerância desenvolvida dava-lhe a impressão de que o organismo funcionava bem com o álcool no sangue. Depois de descobrir que a bebida relaxava o corpo, aumentava a autoconfiança e minorava a dor, Clélio aumentou o consumo. “Às vezes, me dá um branco na cabeça” – ele disse – “e sequer me lembro do que fiz na última noite”. A família havia tentado de tudo. Internações sob modelo médico, tratamentos psicológicos de contenção, aversão, reuniões e apoio, até então, não haviam dado certo. Havia algo sendo esquecido: o verdadeiro problema. O problema humano. Pessoas desejam, respeitam, abominam e temem o álcool, mas não o compreendem exatamente. O que precisa ser bem entendido é que, antes de ser a causa de um problema, as drogas são sintomas do problema. Muitas pessoas pretendem ignorar o fato de que alcoolismo é, em última instância, um problema do coração, não somente um comportamento externo; e santidade é resultado de arrependimento e fé, não simplesmente de abstinência.

Ninguém ainda havia levado em conta, e nem mesmo poderia sem o conhecimento da graça, que aquele homem – rosáceo e rescendendo a restilo de cana, magro como pau de cerca e balofo como esponja encharcada – fosse uma criatura de Deus, feita para refletir o brilho do seu caráter (a todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para minha glória, e que formei, e fiz; Isaías 43.7).  Nem mesmo Clélio, no espelho, podia ver dentro da pele o homem que deveria ser. Experimentava a existência em um circulo de morte, mundo afora e no interior (pois todos pecaram e carecem da glória de Deus; Romanos 3.23). Não podia ver porque tinha os olhos toldados para uma vida além do imenso bar em que uns bebem e outros servem a bebida. Como é que pessoas embriagadas de pensamentos e atos inglórios poderiam ajudar aos que creram nelas e beberam de suas fontes? (Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas; Jeremias 2.13). Nem Clélio nem parentes nem amigos nem seus ajudadores jamais consideraram que o cálice de pinga teria de ser retirado do coração, e que isso só poderia ser feito pelo único que sorveu o cálice da nossa condenação para nos dar a beber do cálice da sua comunhão. (Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo; 1Coríntios 10.16)?

Havia tempos de completo abandono à bebida, com poucas pausas de alguns dias e com sofridas “ressacas”. Por mais de duas décadas, ele viu a mãe e a irmã irem dos rogos ao choro, de promessas a iras, até que a vida familiar foi destruída e reorganizada em torno do seu problema. A preguiçosa dependência contribuiu para a dissolução do seu caráter. Mentia, roubava, fez uma porção de inimigos – até que, um dia, nada mais restou de valor em sua vida.

Clélio não conseguia manter uma conversa coerente. Alucinações lhe assomavam mesmo quando “sóbrio”. Não era uma questão de quanto bebia. Uns goles eram suficientes para lhe trazer ilusões, como ver tartarugas dançando no balcão, ou vacas aladas do tamanho de gatos agarradas aos lustres, no teto. O que lhe ia na mente? Como acessar e prover para as suas necessidades? Estaria apto a entender minhas palavras? Em orações, pedia a Deus que me orientasse e provesse um caminho para penetrar a nebulosidade do seu coração. Estava certo de que somente o espírito de um homem sabe as coisas do próprio homem, e o Espírito de Deus que nele age (cf. 1Coríntios 2.11-12).  Da mesma forma, confiava na promessa de que há um caminho santo pelo qual não passam os imundos, mas que, havendo purificação, quem quer que por ele caminhe não errará, nem mesmo o louco (Isaías 35.8).

Clélio trazia consigo toda sorte de problemas físicos. O menor deles eram os pés com perfurações devidas à falta de sanguificação. Havia desenvolvido cirrose, enfisema pulmonar, dilatação do coração, além do fato de seus problemas orgânicos terem-lhe causado disfunções cerebrais. Graças a Deus, Clélio não parecia ter sido afetado em todas as áreas do corpo – mas só Deus sabia quanto teria sido afetado no corpo e na alma. Pela mesma graça, Clélio não estava além do alcance da comunicação. À medida que o tempo passava, ele se mostrava mais capaz para entender as coisas e reagir a elas em termos mais tangíveis. Ele diria, por exemplo: “Eu sou um homem bom... Não sei porque eu bebo... Eu... eu... Olhe essa mangas aos pés das árvores... elas... hã... Tenho saudade de casa...” Obviamente, ele estava alcançando o mundo exterior – indo além de sua própria pele. Mas não parava aí. Suas melhores condições para apreensão de tempo e circunstâncias se mostravam durante os períodos de adoração e louvor. Ele pedia que cantássemos um dado hino, e, depois, dizia: “Podem orar por mim?”

Um dia, em sua primeira semana em O Refúgio, depois de sofrer as alucinações com a cuíca, Clélio não me reconheceu. Ele entrava em casa no mesmo instante que eu saia pela porta: “Quem é você?” – havia pânico em sua voz. Fui a única pessoa que ele admitiu em seu quarto durante as alucinações provocadas pela abstinência do álcool. Como não me reconhecia? “Você está bem?” – a pergunta era retórica – “Sou o pastor Lau, você se lembra?” “Quem é você?” – ele estava realmente transtornado com a situação. Horas mais tarde, Clélio era outra pessoa. Veio a mim, chamou-me pelo nome, sem jamais mencionar o lapso de memória.

Nos catorze dias que Clélio passou conosco, testemunhamos todas as faces de que ela havia falado: macaco, cão, sapo e porco. Acaso não vemos essas mesmas faces em todo pecado – e uma dúzia de outras faces? A menos que alguém seja convencido pelo Espírito todos nós, quer bêbados de pecado quer renovados dele, jamais poderemos entender a insídia do pecado. Contudo, uma vez que reconheçamos na Palavra de Deus que a raiz do problema não está naquilo que entra pela boca, mas aquilo que flui do coração (Provérbios 4.23) – então, abriremos as cortinas do grande mistério revelado. Como Paulo disse, não deveríamos nos embriagar com vinho, mas sermos tomados pelo Espírito, mudando nossa maneira de pensar e falar (Efésios 4).

Era disso que Clélio precisa saber, e saber além da compreensão humana, em termos de compreensão espiritual: que o álcool não era um libertador, mas um senhor de escravos. Observe por exemplo, como Paulo se interpôs na “bebedeira” de Onésimo e de Filemom. Havia um escravo, Onésimo, preso de todo tipo de pensamento e ação dirigido a uma liberdade pessoal. Tanto se devotou ao deus-liberdade que se tornou bêbado dos próprios desejos. O coração obcecado obrigava o corpo à miséria do que seriam suas riquezas. Logo, possivelmente, apropriou-se de bens que não eram seus e fugiu do seu mestre. Filemom, um cristão, senhor de escravos, estaria bêbado de frustração. Desejoso de senhorio, tinha o coração tomado de pensamentos a respeito de Filemom. Algo mais ou menos assim: “Aquele a quem eu dei de comer...”, ou “ele me roubou...” ou ainda, “esse ingrato... eu era bom para ele”. Somente Deus sabia de sua bebedeira de justiça (sempre autojustiça!) resultantes em suas mãos, sentida na pele. Como foi que Paulo lidou com os dois? Foi como dizer: Não se embriaguem com desejos do coração, os quais transparecem na pele através do comportamento de cada um. Antes, ponham para fora toda espécie de “espírito” (como eflúvios alcoólicos) tanto da “liberdade” como do “poder”, e ponham para dentro o dom do Espírito de Deus, o qual é selo dos Filhos de Deus e irmãos entre si, em Cristo.

Ah! Se apenas Clélio pudesse ver seu desejo do coração, de libertação do jugo da pobreza, da insignificância, da inabilidade para se relacionar com pessoas, e sua sede para “dar o troco” à monstruosidade que lhe fora perpetrada e que o formara em quem ele pensava ser... Se apenas ele visse que os próprios desejos do coração eram grilhões da mesma escravidão, e sua condenação... Mas, como dizer-lhe? Certamente, como Paulo fez: abrir-lhe os horizontes para contemplar o bem maior, mais alto, profundo e extenso, do amor de Deus (cf. Efésios 3.14-21)!

Teria de mostrar-lhe o quadro do arrependimento e fé a fim de dar-lhes as formas, as cores e a impressão de como Cristo poderia redimi-lo efetivamente. Assim, ele teria de entender que a redenção de Cristo é diferente das redenções propostas pelo mundo. Que não é como o círculo vicioso do alcoolismo, em que cada tentativa de libertação afunda mais na escravidão de um senhor pior e em que cada tentativa de autojustificação resulta em maior injustiça. Ele teria de ouvir e crer na redenção que promove o homem a um alto nível de relacionamento com Deus e com o próximo. Mas como?

A irmã de Clélio veio pela manhã, e simplesmente disse: “Prefiro ver meu irmão bêbado do que como um crente”.
 
Wadislau Martins Gomes

sexta-feira, abril 20, 2012

VAI SER PERFEITO LÁ LONGE!



Para ilustrar um ponto, em aula, perguntei a um aluno:

– Você quer casar comigo?

– Claro que não – ele foi pronto.

– Por quê?

– Porque já sou casado!

Ah! Se não fosse... Depois do contraponto aposto e feita a graça, continuei a explicação. O ponto era uma pergunta anterior: casar é um bom alvo? Já havia definido os termos da ideia baseados na proposição de que um bom alvo tem de ser possível de ser atingido e possível de ser mantido. Menos do que isso, seria um alvo frustrável e, portanto, um mau alvo. Casar, como seguia o exemplo acima, não é um bom alvo porque é coisa que depende do assentimento de alguém mais – e muita gente tem ouvido o não! Também é coisa que pode ser interrompida por uma dureza de coração ou pela bruxa da viuvez.

– Ter bastante dinheiro seria um bom alvo?

– Se for merecido e servir à generosidade, sim – disse outro aluno.

Ainda assim, nem sempre conseguimos riquezas e sequer podemos garantir sua permanência; a traça e a ferrugem corroem, diz a Bíblia; e o Collor confisca, experimentamos.

– E ser perfeito, é um bom alvo?

– Ah! Isso é – responde a turma em desafino!

– É coisa possível?

– Bem, isso não é, pois ninguém é perfeito... – adianta um, meio manhoso.

– “Anda na minha presença e sê perfeito”, disse o Senhor a Abraão – obtemperou uma voz feminina.

– Paulo disse que prosseguia para o alvo da perfeição – falou alguém estimulado pela voz anterior.

Para fazer curta a longa discussão, o certo é que ser perfeito é um mau alvo porque ninguém será perfeito nesta vida (e quem o disser já terá frustrado o alvo por meio do autoengano – ver 1João 1.8) senão o perfeito Filho de Deus e do homem, Jesus. O que Paulo disse, em Filipenses 3.12-14, foi que ele mesmo não havia alcançado ou recebido a perfeição, mas que prosseguia para o alvo possível de ser obtido e mantido, que é a perfeição de Cristo, para a qual fomos chamados em Cristo! Assim, a deixa levou ao segundo ponto.

– Qual seria um bom alvo em relação a todas essas coisas referidas?

As respostas vieram rápidas:

– Hum... ah... her...

– Her... hum... ah...

– Ah hum her...

– Se perfeição não é um bom alvo, como é que Deus tem esse alvo? – declarou um de modo ad baculum.

– Simples que nem pão com queijo: Deus é perfeito porque é a própria perfeição. Para ele, nossa perfeição é alvo possível e possível de ser mantido. Ele mesmo prometeu por meio de Paulo: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” (Filipenses 1.6).

Aí, para prosseguir a explicação, vieram as questões, meio historietas: “Quantos saltos perfeitos deverá proceder um paraquedista perfeito a fim de manter a perfeição?”

– Todos, ué! – disse um paulista.

– E quantas vezes o funambulista (o da corda bamba, ô meu) poderá cair e continuar sendo fiel?

– Nenhuma, uai! – disse o mineiro quase em silêncio.

– Na verdade, quantas vezes quantas ele voltar ao arame para prosseguir.

O fato é que, se tudo vem de Deus que efetua nossa vontade e sua realização, dele é a perfeição e a fidelidade. Se formos infiéis, ele permanece sendo fiel – e bondoso. Assim, a fim de alegrar o coração dos casados e casadouros, dos operosos que almejam o resultado do seu trabalho, e dos que visam sabiamente a perfeição de Cristo, aqui vai mais uma: essas bênçãos maravilhosas de Deus são excelentes desejos. Casamento é bom desejo, trabalho é bom desejo, ser perfeito é bom desejo. Quem encontra uma esposa acha o bem, quem é prestimoso no trabalho e sábio na administração dos bens (só cuide de se guardar do amor do dinheiro, como disseram Tiago e Pedro) alcança justo valor, e quem segue o caminho do Senhor revelado na sua Palavra guiada pelo Espírito, recebe sua recompensa! Na verdade, essas e outras bênçãos residem em Cristo, o qual, habitando em nossos corações e mentes, leva-nos ao alvo da perfeição: “vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção, para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor” (1Coríntios 1.30-31).

 – Então professor, como é que fica?

Fica assim: nós seguimos os alvos de Deus e ele satisfaz os desejos do nosso coração: “Confia no Senhor e faze o bem; habita na terra e alimenta-te da verdade. Agrada-te do Senhor, e ele satisfará os desejos do teu coração. Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará” (Salmo 37.3-5).

– Ô professor, a lei da graça é perfeita, não é? Dá até vontade de ser fiel! – disse um, e na cola veio o outro:

– Vai ser perfeita lá longe!

Wadislau Martins Gomes

quinta-feira, setembro 01, 2011

ACONSELHAMENTO E PSICOLOGIA EM PERSPECTIVA


QUEM VENCERIA EM UMA LUTA ENTRE
O SUPER-HOMEM E O SUPERMOUSE?

O universo das discussões sobre o sistema da fé cristã frente aos sistemas seculares está povoado de super-heróis fantásticos. Nos quadrinhos estáticos, eles adquirem movimento aos olhos do leitor com maior poder do que o daqueles ressuscitados no cinema 3D. Parecem reais! Parecem vivos! Até mesmo, depois de cerradas as capas, as imagens permanecem na mente como a impressão da luz que resta nas retinas. O mundo real e o mundo virtual se confundem de tal forma que, acordados, ainda sonhamos novelas.

Duas dessas personagens são o superaconselhamento e a superpsicologia. A história de como esses nomes comuns adquiriram condição de nomes próprios é a mesma dos rótulos comerciais: gilete virou lâmina de barbear e xerox virou cópia. Com efeito, aconselhamento fora do gibi é a ação de ajuda que se presta em diversas áreas da interação humana. Advogado é conselheiro legal, médico pode ser conselheiro da área de saúde. Psicologia fora do gibi é conhecimento do ser interior e seus relacionamentos externos. No caso da ajuda a pessoas para solução de problemas internos e externos, o conselheiro se utiliza de conhecimentos relacionados à antropologia, à sociologia e à psicologia. Assim, aconselhamento e psicologia não são termos sinônimos nem mutuamente excludentes.

Especialmente, quando definidas como aconselhamento cristão ou aconselhamento psicológico, essas expressões não podem ser tomadas como equivalentes, quer em justaposição quer em oposição. Certamente, há muito aconselhamento cristão que não é cristão em função de não ser baseado em uma correta interpretação da Bíblia; e há aconselhamento psicológico que não é psicológico por que parte de um entendimento incorreto da origem e da natureza humana.

Uma maneira de ilustrar isso é por meio da pergunta: entre um livro de psicologia e a Bíblia, qual deles você escolhe como tendo maior autoridade? O psicólogo não cristão, coerentemente, diria: o livro de psicologia, é claro! O cristão comum, especialmente se o interlocutor fosse crente, responderia: Claro que é a Bíblia! No entanto, qualquer escolha estaria errada. A revelação bíblica e qualquer outra revelação não são para serem comparadas por que pertencem a diferentes categorias. A Bíblia não é um modelo de escola de psicologia, sociologia ou antropologia. Ela é o livro da sabedoria divina, eterna, dada aos homens para interpretação da realidade temporal. Ela descreve a pessoa e suas relações com Deus e, com base nesse conhecimento, possibilita às pessoas o conhecimento próprio, das outras pessoas e do mundo.

Desse modo, a revelação de Deus na Escritura fornece os elementos necessários para a interpretação da natureza, isto é, do seu propósito e da sua condição. Trocando em miúdos, a Bíblia, além de revelar o caráter de Deus e sua graça salvadora em Jesus Cristo, serve também para interpretar todas as coisas que ele igualmente nos deu, a criação e a criatura. Quanto a isso, não se deixe enganar. Há somente dois tipos de interpretação do mundo e do ser humano: a visão do regenerado e a do não regenerado. O que passar disso é história de super-homens e de supermouses.

Na vida real, os que são chamados e amam ao Senhor não se reconhecem diferentes dos demais irmãos de carne e sangue. Todos vivemos no mesmo mundo e nos alegramos e sofremos com as mesmas coisas. A diferença é que uns creem que Deus é o Criador e Salvador e colocam-no como ponto referencial de toda a existência, e, outros, tomam como referência o “fato” virtual que Deus não existe. A psicologia bíblica diz que a personalidade humana tem existência em Deus – o EU SOU define quem eu sou. A psicologia sem Deus diz que o que eu sou define a existência.

Isso gera a questão: quem é que ganha em uma briga entre a psicologia bíblica e a psicologia secular? Claro que a pergunta vem em diferentes balões, na boca do super-aconselhamento ou da super-psicologia: “Como é que fica?” “Jogo fora a psicologia que aprendi?” “Jogo fora a Bíblia?” “Divido meio a meio; ‘seis dias psicologizarás e no sétimo aconselharás’?” Quer mesmo saber? Então, leia de novo tudo isso, acima, e responda: Teoria da evolução ou revelação da tese da criação? Verdade relativa ou absoluta? A nova liberdade moral segundo o curso deste mundo ou a liberdade moral do conhecimento e comunhão com Deus? Visão do homem segundo a carne ou segundo o Espírito? Super-homem vs. supermouse ou conhecimento revelado de Deus em bondade para o homem vs. observações humanas desprovidas da luz de Deus?

Deus é luz que ilumina a todo homem. Alguns recusam se aproximar da luz e refletem no mundo as suas próprias trevas. Nós, no entanto, que não somos luz, mas fomos chamados das trevas para a luz, deveríamos refletir a glória de Deus – aquele que criou o mundo por meio da sua palavra, dizendo “haja luz”, e que brilhou em nossos corações para “iluminação do conhecimento de Deus na face de Cristo” (cf. 2Co 4.6). Todos recebemos a luz da graça de Deus, que cai sobre crentes e não crentes, tal como a luz do sol; mas os que amam a Deus, recebem a luz da graça salvadora que os habilita a romper a obscuridade do coração humano. Deus mesmo criou o gênio humano que observa o homem e o mundo, e que, assim, não pode fugir ao fulgor de sua glória. Psicólogos incrédulos não puderam evitar a constatação de aspectos da glória divina plasmada no ser humano. Cada gênio da psicologia viu algo da luz de Deus refletida no homem. Mas nenhum deles pode ver, de seu ponto de vista, a totalidade do homem em referência a Deus. O conselheiro cristão, sim, tem o testemunho interno do Espírito Santo e a instrumentação da Escritura que o próprio Espírito aviva, podendo avaliar as observações seculares à luz da revelação divina, como está escrito: “julgai todas as coisas, retende o que é bom” (1Ts 5.21).

A forma de julgar as coisas, para ser coerente, não será por meio de juízo privado, pois nenhuma revelação vem de humano saber, mas vem do alto e deve ser observada segundo a reta justiça – “Observai os meus estatutos, guardai os meus juízos e cumpri-os; assim, habitareis seguros na terra” (Lv 25.18). A Bíblia fornece instrumentos para esse tipo de discernimento. A doutrina bíblica, que é uma coleção de instrumentos de sabedoria, compõe um sistema teológico (conhecimento de Deus) para avaliação da psicologia. A Palavra de Deus descreve uma antropologia, uma sociologia (tanto da humanidade quanto da igreja), e uma psicologia (homem interior/exterior). Assim, para não cair na historia em quadrinhos, não poderemos pinçar observações humanas, pretendendo que uma coisa na psicologia seja a mesma coisa na Bíblia, nem fazer uma salada de psicologia com molho de teologia. Será preciso sabedoria divina para, bem enxertado na Videira, que é Cristo, desconstruir o sistema da carne, do mundo e do diabo, e, então, frutificar para a vida eterna.

De nada adiantará fazer uma faculdade de psicologia e ser formado em teologia de quintal. Ler o livro maçudo da psicologia e o gibi teológico – de nada adiantará todo o conhecimento teológico com superficialidade psicológica. Esse tipo de preparo implica em duplicidade ética, isto é, em tentar servir a Deus e aos senhores deste mundo. Se o conselheiro, psicólogo ou pastor, quiser ser efetivo, deverá ser versado no conhecimento de Deus segundo sua Palavra e, à sua luz, formular um modelo que espelhe a glória de Deus em todo o esplendor da sua graça, em salvação e em juízo. Só assim o conselheiro cristão deixará de se sentir como um superrato em guerra contra um super-homem.

Wadislau Martins Gomes

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

ACONSELHAMENTO E PORCO NO OMBRO

Aconselhamento, essa palavra comprida demais para “pegar” tem sido usada, aqui na terrinha, como sinônimo de psicologia de “meia sola”. Psicólogos e psiquiatras, psicanalistas pastores e uma multidão de seguidores da plausibilidade só aceitam por que é a gente que fala, mas olham com cara de quem viu bicho sem cabeça. Na verdade, o termo conselheiro é muito usado para descrever funções em diversas áreas: tutela, autarquias, psicologias, em Machado de Assis, nomes de ruas, – e bota conselho nisso. No entanto, que negócio é esse de aconselhamento cristão? Teologia aplicada? Psicologia aplicada? “Uma mão lava a outra?”

Para dizer o que é e o que não é aconselhamento cristão, primeiro será preciso ver o que vem antes do termo, isto é, antes da descrição funcional. De modo geral, aconselhamento é um termo que sinaliza um relacionamento pessoal. Isso, a menos que você goste de conversar com seus botões; daí, você tem um conselheiro, precisando de aconselhamento. Portanto, aconselhamento envolve pessoas e palavras; e pessoas e palavras são os grandes motivadores de pessoas – primeiro Deus e sua palavra e, segundo, nós e nossas palavras.

Ora, quando você se aproxima de mim, deve haver um propósito e algo para conversar, se não, fica meio engraçado (na fila do cinema ou na porta do elevador, a intenção é clara). Até mesmo o “oi, tudo bem” tem um propósito consciente ou subconsciente baseado em uma visão da vida. É toda uma estrutura de pensamento, umas “de nascença” e outras, aprendidas: Deus (Romanos 1.18), eternidade, beleza e desejo de saber (Eclesiastes 3.11), e, de maneira particular para nós, aqui, uma autoconsciência (1Coríntios 2.11a). No contexto dessa última referência há informações interessantes: (a) essas coisas são reveladas por Deus, o qual não pode ser conhecido a partir da observação humana (v. 10); (b) há dois tipos de estrutura de pensamento, a saber, o do Espírito de Deus e o do espírito do mundo, sendo que o primeiro tem condições para discernir os dois, e o outro não pode entender o que é revelado (v. 12-16).

Portanto, aconselhamento cristão é uma construção do pensamento sobre uma base de conhecimento, como Salomão descreve em Provérbios 8.1-30: conselho e sabedoria são coisas de cima, eternas, e também do dia a dia, das ruas, que podem ser intencionalmente vistas ou ignoradas. Um ladrão de porco foi pego no ato, e interpelado: “Que é isso aí no seu ombro?” Com um olhar para o lado, o matreiro foi pronto: “Ai! Tira esse bicho daí”. Verdadeiramente, o conhecimento de Deus e o que a pessoa tem de si mesma está aí, no ombro da gente. É coisa pessoal. O texto acima referido diz: Meu é o conselho e a verdadeira sabedoria, eu sou o Entendimento, minha é a fortaleza (v. 14). “Eu sou” foi a expressão que Deus usou para se descrever a Moisés, em Êxodo 3.14, e, em Atos 5.38-39, o mestre judeu não cristão disse que o conselho de Deus entre os homens sempre permanece, mas os dos homens não tem permanência. Assim, esses textos apontam para o aconselhamento como sendo entendimento em ação no relacionamento do homem com Deus, refletido no relacionamento entre os homens.

O relacionamento entre Deus e os homens e entre os homens decorre do conhecimento, mas não é baseado nele. De fato, é anterior a ele. Vem do coração (figura usada na Bíblia para descrever o amado e a totalidade da pessoa). É importante notar como o Sábio, em Provérbios 4.20-27, identifica as fontes do coração com os atos do corpo. Essa distinção do coração é significante por duas razões: mostra que nossa escolha por uma linha de aconselhamento é coisa do coração, antes de ser intelectual, e que nosso propósito é atender à sabedoria de Deus ou de provar a sabedoria segundo o mundo (cf. 1Coríntios 1.18-31).

Paulo enfatizou esse aspecto, dizendo que Deus tem um propósito e faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade (Efésios 1.11). As pessoas, criadas por Deus, refletem essa disposição relacional e, sobre isso, o Sábio de Provérbios também disse que sem conselho fracassam os projetos, mas com bons conselheiros há bom êxito. O homem se alegra em dar resposta adequada, e a palavra, a seu tempo, quão boa é! (Provérbios 15.22-23). Dessa maneira, aconselhamento é parte da função humana quantos às relações do mundo do homem interior (coração) com o mundo exterior (você nunca receitou um melhoral contra dor de cabeça?). Dado que o coração humano, por coerência, só poderá ter dois movimentos, de amar a Deus ou de odiá-lo, os aconselhamentos humanos só podem exibir direcionamento bondoso ou malicioso. Paulo disse assim: existe um caminho, trilhado por aqueles que obtiveram vida por meio da obra de Jesus Cristo, que é caracterizado por obediência e amor a Deus que lhes permite agir com misericórdia para com o próximo; existe outro caminho, em que estávamos e em que muitos continuam, o qual é segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência (cf. Efésios 2.1-10).
As questões são estas: Como andar com o coração no caminho da vida, se os pés – e os olhos, os ouvidos, a boca e as mãos, ainda contemplam os caminhos deste mundo? O que é que temos sobre os ombros: a vocação e a fé na força que Deus supre ou um porco que pretendemos ignorar, mas que está aí, à mostra?

Onde está posto aquilo que é o tesouro do nosso coração, pois Jesus disse: onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração (Mateus 6.21).  Os aspectos que devem ser considerados nem sempre estão claros para todos, mas certamente estão envolvidos, em algum nível de consciência. A resposta tem dois aspectos: o segundo é que temos de saber quem somos e quem são os outros (senão, seremos cegos, guiando cegos); e o primeiro, que quem somos depende do que pensamos sobre Deus. Esse é o discernimento necessário para o bom aconselhamento, como o salmista divinamente inspirado cantou em prosa e verso, no Salmo 1 (interessante, exatamente o primeiro): [o conselheiro] bem sucedido não anda no conselho dos ímpios nem se detém no caminho dos pecadores nem aprova os escarnecedores do conselho de Deus (ver Salmo 14.6); o futuro de um é frutífero, o dos demais é palha no vento – e um e outros prestarão conta a Deus de suas andanças.

Quanto aos que se aborrecem de Deus, a Bíblia é clara em dizer que não temos de nos preocupar, pois Ele apanha os sábios na sua própria astúcia; e o conselho dos que tramam se precipita (Jó 5.13). Meu foco, aqui, são aqueles que, dizendo-se cristãos, deixam-se levar por psicologias só humanas, dos quais Deus diz: Porque o meu povo é gente falta de conselhos, e neles não há entendimento. Tomara fossem eles sábios! Então, entenderiam isto e atentariam para o seu fim (Deuteronômio 32.28-29). A diferença entre o conselho de Deus e o dos homens foi expressa por um judeu não cristão, acadêmico professor de Paulo: se este conselho ou esta obra vem de homens, perecerá; mas, se é de Deus, não podereis destruí-los, para que não sejais, porventura, achados lutando contra Deus (Atos 5.38-39).

Quanto a nós, que sabemos que nada poderemos saber se Deus não nos manifestar, Jesus, a manifestação de Deus, aconselha que compremos: ouro refinado pelo fogo, que é a Palavra de Deus, a fim de compor nosso tesouro; vestiduras alvejadas em seu sangue para que não seja manifesta a vergonha de nossa nudez, e colírio para ungir os olhos, a fim de que vejamos com clareza (Apocalipse 3.18; ver 7.14). Deus ordenou claramente, por meio do profeta, que déssemos ouvido à sua voz, acatando o pacto de ele ser nosso Deus e nós, o seu povo; esse compromisso do coração tem um rumo (andai em todo o caminho que eu vos ordeno), uma promessa (para que vos vá bem) e uma advertência: os que não deram ouvidos, mas  andaram nos seus próprios conselhos e na dureza de coração, esses andaram para trás e não para diante.

Essas coisas são mais antigas do que andar para frente e, no entanto são novas como sapatos fortes em pés bonitos (Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas! Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz – Romanos 10.15 e Efésios 6.15). São coisas do coração, antes de na cabeça, nos pés, nas mãos. No entanto, muitos de nós preferimos seguir a cabeça de homens que andaram para trás, para as velharias, porque nosso coração está com eles. Aquilo que chamamos de pesquisa científica moderna não é verdadeira ciência, sabedoria. Antes, é baseada na intuição de um coração rebelde que deseja retirar Deus do mundo que ele criou para, em troca, governar seu próprio ser decaído, rebelde, dissoluto, contencioso, e governar o próprio mundo.

Assim é que todas as psicologias – com pressuposições e métodos divergentes, contraditórios, brotam do abandono da matriz psicológica que Deus criou à luz sua imagem, para outras que jamais encontraram suporte empírico inequívoco. São teorias sem base senão as das observações – às vezes, geniais sim, mas ainda sem comprovação – de homens cuja imagem original se encontra distorcida, observando reflexos distorcidos, em espelho embaçado.

Não estou dizendo que todo estudo secular seja sem sentido, mas que esse ouro precisará ser refinado no fogo da Palavra de Deus para livrá-lo de muita ferrugem, terra e palha; o laboratorista precisará de vestes purificadas no sangue de Cristo a fim de não contaminar o processo; e o observador precisará de colírio da luz da comunhão com Deus para clarear a vista. Noutras palavras, se não usarmos o conselho de Deus como crivo para exame das teorias de homens (que, pela graça comum, recebem genialidade tal como recebem chuva e sol) não poderemos fazer mais do que disfarçar o porco no ombro por meio de enfeitá-lo com um piercing no focinho (cf. Pv 11.22).

Para aqueles que descobrem que o relacionamento de ajuda é mais do que ação humanitária, vindo do propósito de Deus ao coração humano, e que brota do coração do homem para o coração do outro, o aconselhamento é como óleo na ferida e docilidade e alegria para a alma (Provérbios 27.9). Esse propósito pessoal não é somente psicológico, social ou antropológico – ele é centrado na Pessoa de Cristo, em quem habita o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor (Isaías 11.2).

Wadislau Martins Gomes