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segunda-feira, janeiro 06, 2014


 

Um tanto escura, minha última postagem foi sobre o peso do Natal, e eu queria escrever algo mais animador e leve para começar o ano de 2014. Como Maria na antiguidade, eu meditava muitas coisas no coração, e as revirava na cabeça com coceira de proclamar a todos quantos quisessem ouvir, ainda que não fosse voz de anjos ou profetas. Também como Maria da antiguidade, no momento eu não tinha acesso a computador nem meio para proclamação pública, e apenas lembrava com gratidão os muitos profetas que me antecederam, acompanham e de sucedem na caminhada: meu pai, meu companheiro de vida e marido para todos os dias, meus filhos e genro – todos pastores – e os netos que nos alegram porque andam na verdade em amor. Começo o ano novo com profunda gratidão e igual percepção de que toda a graça que nos inunda é imerecida prova da abundante generosidade do Senhor.

Confesso que a “coceira de proclamar” não se alivia com os talcos ou bálsamos dos dias atuais. Mas como uma autora facefriend constatou, o vírus da procrastinação está sempre presente (e nada latente) em corações despertos pela Palavra – e igualmente embalados pelas dissonantes cantigas de ninar do mundo em que vivemos e escrevemos. Já passou quase uma semana do ano de nosso Senhor de dois mil e quatorze. Tenho muito que escrever e nem sei por onde começar, se bem que continuo com metas a cumprir. Por exemplo, publicar dois livros novos e, como uma mulher mais velha de Tito 2.3, que eu seja séria em meu proceder (sem perder a joie de vivre ou humor); não caluniadora (nem em insinuação, face, nem em pessoa); não escravizada (a vinho ou a qualquer coisa que anticristã(mente) intoxique a mente ou escravize o coração); que seja mestra do bem (de coração aprendiz e disposição serviçal) – a fim de instruir as jovens a amarem ao marido e a seus filhos, a serem sensatas, honestas, boas donas de casa, bondosas, sujeitas ao marido e ao Senhor da Noiva, da qual participo. Ser ainda respeitável e não maldizente, temperante e fiel em tudo (1Tm 2.11)! Se conseguir comunicar isso com graça durante os próximos doze meses, considerarei cumprido meu chamado.

Observo postagens lupinas de velhos pastores que se revestiram de idolatria herege, zombando de jovens que mantém a sã doutrina e, como João o ancião disse: “Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno” (1Jo 2.14). Tenho “coceira” de responder ou comentar à altura da dissonante voz. Mas volto ao Verbo da Vida e ao discípulo amado que passou a ser apóstolo do amor para ler postagens escritas com estiletes de palavras duras de entalhar após queimadura de mãos e corpo no óleo, além de lábios ungidos em meio à solidão do exílio de Patmos:

O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida (e a vida se manifestou, e nós a temos visto, e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifestada), o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo. Estas coisas, pois, vos escrevemos para que a nossa alegria seja completa. Ora, a mensagem que, da parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que Deus é luz, e não há nele treva nenhuma. Se dissermos que mantemos comunhão com ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado. Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós (1 Jo 1.1-10).
 
Que o novo ano seja regado com as palavras das três epístolas de João a pais que conhecem o Pai, jovens, velhos, crianças, filhinhos, senhora eleita, senhores e servos, e amigos!

 
É SÓ O COMEÇO


Elizabeth Gomes

quarta-feira, novembro 13, 2013

GRAÇA E PANELAS FURADAS


 

A graça de Deus é que permite conhecer e discernir as dimensões de unicidade e multiplicidade em tudo o que existe. O que eu quero dizer? Isto mesmo que foi dito: o que permite que conheçamos a Deus e as coisas que ele criou, incluindo a nós mesmos, é sua graça. Mas o que é graça? Esta é uma palavra de contato, isto é, que a gente usa sem saber definir o significado. Um dos sentidos do termo graça é muito conhecido e usado: “favor imerecido”. Entretanto, este sentido é descritivo de uma propriedade da graça, não do seu significado.

Deixe-me ilustrar. Era o fim da década dos cinquentas, quando os jovens vestiam calças “rancheiras” (o jeans da época), as moças de sandálias e os moços de botas com salto “carapeta” (do formato de peão). Minha irmã, já falecida, estava naquela idade de ser menina moça, muito graciosa. Um dia, aproximou dela um jovem bem tratado, cabelo volteado na testa, que disse: “Posso saber sua graça”. Ela respondeu: “Eu não fiz graça nenhuma!” Tão logo percebeu a situação incômoda, saiu correndo, sem graça. Parece piada, mas se aplica bem à definição do termo. Graça é identidade, beleza, paz (interação harmônica) e alegria. Graça é a manifestação da identidade de Deus, de sua beleza, de sua paz e de sua alegria.

Por que “favor imerecido”? Vai outra ilustração. Pequeno ainda, na cidade de Jahu, SP, quando a noite caia, eu me punha a olhar as estrelas. O céu parecia uma daquelas panelas pretas da fuligem do fogão a carvão que havia lá em casa. Às vezes, as panelas começavam a chiar no fogo, e minha mãe as levantava contra a luz para ver se estavam furadas. E eu imaginava se as estrelas não seriam furos na negridão do céu, deixando passar réstias fulgentes de uma luz perene. Assim é que, à visão de cada traço de luz do amor de Deus que penetra as trevas do pecado deste mundo, o crente diz: “Eu não mereço!”

Graça é isso: o movimento de Deus na direção do homem a fim de transmitir sua própria natureza. É sobre esse movimento que Pedro escreveu:

Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude, pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo (2Pd 1.3-4).

Como opera a graça de Deus? Certamente mediante a fé. A Palavra de Deus diz que a fé é uma certeza que pressupõe esperança, não como quem “torce” num jogo ou numa eleição, mas a certeza de algo que se conhece, mas que ainda não se vê (como esperar se não for conhecido? – ver Hebreus 11.1-6). No mesmo lugar, a Escritura diz:

Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem. De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam.

Galardoador, aqui, não tem o sentido de recompensador de obras, mas da fé. Como diz Calvino (Comentário aos Hebreus), a intenção do autor de Hebreus é elevar nossa consciência para ver que nossa aproximação de Deus não será vã, pois ele mesmo nos criou para tal finalidade e propósito.

Wadislau Martins Gomes

(Extraído de Todo mundo pensa – você também; Brasília: Monergismo, 2013, pp 52-54.)

segunda-feira, dezembro 19, 2011

CONCORDÂNCIAS


Beth recebeu da tia, Cynthia, um pacote de livros, “de uma bibliófila a outra”. Com o carinho que lhe é próprio, a tia enviou junto um livreto, uma concordância do Novo Testamento datada de 1844 e com o nome da proprietária original em esmerada escrita: C. F. Watkins. O livro veio acompanhado de uma cartinha curiosa.

Tupper Lake, NY
July 23, 1937
Querida Cynthia,
Um pequeno livro está chegando para você, hoje, pelo correio. Não é especialmente bonito, e não tem nenhuma figura ou diálogos que o faça interessante. O que o torna significativo, no entanto, é o nome de sua trisavó, a quem o livro pertenceu. Ele teve grande valor para ela, pois a ajudava a achar os lugares que ela desejava ler na Bíblia.

Seu nome era Cleópatra Frissell Watkins. Sua filha recebeu o nome de Hyla Cleópatra Watkins, a qual foi sua bisavó. O filho desta foi Byron Franklin Stowell, seu avô. O filho dele é Austin Lovett Stowell, seu pai. E você é sua pequena filha, a primeira a portar o nome Watkins depois de muito tempo. Quem sabe, poderá ser a sua trisneta quem o receba, de novo, a uns cem anos de agora.

Tudo isso é meio confuso, no momento, para uma pequena garota, mas você cresce rápido, e eu espero que se alegre com a posse deste livro porque o nome Watkins pertenceu a tantas pessoas queridas.

Nós nos alegramos ao ouvir que vocês se mudaram para a nova casa. Espero que vocês estejam bem e contentes nela, e que Ela seja o lar dos Stowell por muitos e muitos anos.

Hyla e eu estaremos partindo em duas semanas em viagem para a China, do outro lado do mundo. Por favor, transmita nossa afeição ao seu pai e sua mãe, e a todos um o desejo de um lar feliz.

Sua tia avó,
Ada Stowell Waters


Ada, a signatária da carta, foi casada com o Rev. Dr. Phillip M. Waters, pastor metodista e por muitos anos Presidente do Gammon Theological Seminary, em Atlanta, Geórgia. O casal teve três filhos, Phillip (que foi pastor em White Plains, NY), Florence (que foi missionária na Índia) e Hyla, também conhecida como Hyla Doc, graduada em filosofia e em medicina, que foi missionária na China e na Libéria.

Os livros Hyla Doc: Surgeon in China Through War and Revolution, 1924-1949 e Hyla Doc in África, 1950-1961, organizados por Elsie H. Landstrom são preciosidades para instrução e inspiração missionária.

Certamente a importância do livro está mais na ferramenta para ler a Bíblia do que em nomes de família. Não obstante, nomes são importantes, tanto os da Bíblia quanto os nossos. E é aí que eu entro na história. Há umas duas décadas, implantando uma igreja nos EEUU em um esforço conjunto de oito diferentes etnias e denominações que dividiam um mesmo local de culto, eu conversava com o pastor paquistanês. Falando sobre sua experiência com Jesus, ele contou que seu pai havia sido convertido ao evangelho por instrumentalidade de um tal Dr. Waters.

Wadislau Martins Gomes

segunda-feira, novembro 28, 2011

PONHA UM POUCO DE ARTE NO LOUVOR



Às vezes, escutando um pouco de boa música, fecho os olhos da cara e abro os da alma para louvar a Deus pela graça que cai sobre crentes e incrédulos, como sol e chuva ou nascer e por-de-sol. Meu Deus! Que beleza há na música da tua presença; que sintonia com tua glória – a distonia do canto decaído não consegue prevalecer contra o teu fulgor e só realça tua verdade e teu amor. Olha só com que beleza o incrédulo louva seus ídolos:



Eu fico com a pureza da resposta das crianças / É a vida, é bonita, e é bonita / Viver e não ter a vergonha de ser feliz / Cantar e cantar e cantar / A beleza de ser um eterno aprendiz / Eu sei que a vida devia ser bem melhor e será / Mas isso não impede que eu repita / É bonita, é bonita, e é bonita (O que é o que é? Gonzaguinha).

Não foi uma só vez que o Senhor Jesus usou um exemplo do mundo para nos advertir do mal e nos estimular ao bem. "Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas" (Mateus 10.16) ou "dais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as hortaliças e desprezais a justiça e o amor de Deus; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas" (Lucas 11.42). Paulo também citou um poeta secular: "como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração" (Atos 17.28).

Foi com essas coisas em mente que perguntei ao filho: "Por que é que crente não faz coisa tão bonita para Deus, como os incrédulos fazem para seus ídolos?" A resposta foi pronta: "Eles não tem compromisso com os ídolos, o que lhes facilita a expressão." É certo, e tem mais: alguns dos nossos não têm tanto compromisso com Deus que lhes facilite a arte do louvor. Tem gente que pensa que basta dar um tapa no pescoço do violão que sai corinho. Para cantar louvores a si mesmos, os filhos de iemanjá, de oxalá e de exu gastam horas afinando a arte, o coração e o gesto. Se não vão à escola, dedicam-se ao discipulado aos pés dos grandes compositores ou intérpretes. Principalmente, submetem-se à crítica, às vezes ranzinza, dos que sabem de canto e encanto. Muitos dos nossos preferem o pop (não confunda com popular, que, quando bom, pode ser lindo; pop é a tendência de manter a média para efeito de mercado), de venda fácil e de gosto pobre. Daí vem uma cultura gospel que não é outro evangelho só porque não existe outro.

A experiência de muitos com o louvor costumeiro das igrejas pop vem bem descrita na anedota caricata. Um crente simples, da roça como eu, vai à cidade e, na volta, relata à mulher a visita que fez a uma igreja.

E como é que foi? – arrasta ela.

Iguar aqui – diz ele – iguarzinho só que diferente.

Diferente?

É, cê vê: aqui a gente canta: "Se da vida as vagas procelosas..." Lá, vai uns moço na frente e canta: "A vaca foi pro brejo, foi pro brejo / a vaca foi, foi pro brejo / eu louvarei... a vaca foi pro brejo..."

Só isso?

Eles repete um monte de veis até a gente acreditá que a vaca foi pro brejo.

Não sou contra o louvor nem a participação no culto. Não, sou mais é a favor. Mas, como disse também o Vinícius, "beleza é fundamental". Assim, ouça com graça o que digo. O louvor é a atribuição a Deus de tudo que sua graça nos proporciona em Cristo, e a adoração é nossa rendição à sua vontade graciosa e eficiente. Esteja certo disto: o louvor não liberta – "conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8.32). De fato, a verdade liberta o louvor, como bem disse o músico poeta: "O meu louvor é fruto do meu amor por ti, Jesus, / de lábios que confessam o teu nome" (Asaph Borba, ver Hebreus 13.15).

Tem mais: o louvor pop parece querer nos convencer de que o culto público, da maneira requerida pelo Senhor, estaria indo para o brejo em termos de não atingir o objetivo de ganhar pessoas para a cantoria. Daí, uma "equipe de louvor", como levitas extemporâneos esquecidos do sacerdócio universal dos crentes, põe um cultinho dentro do culto, com "nova" palavra profética, oração poderosa e novo cântico: "Há momentos em que palavras não resolvem". Depois dessa, coitada da pregação sobre a palavra criadora do mundo, a Palavra escrita e a Palavra Viva, a palavra a ser dita a tempo e fora de tempo e as sete palavras da cruz. "É jeito de dizer", diz alguém sem jeito. Mas há jeito certo para dizer a verdade em amor! Outros cantam: "Deus não é Deus de longe... mas de perto." E como ficam as palavras de Deus: Acaso, sou Deus apenas de perto, diz o Senhor, e não também de longe (Jeremias 23:23)?"

Para por um pouco de arte do louvor, Vinícius dá a receita, ainda que num uso pervertido: "Ponha um pouco de amor numa cadência" (Samba da bênção, Vinícius de Morais). Ponha um pouco de amor a Deus e aos homens, fornecendo o que Deus quer e que é o de que o povo realmente necessita: a verdade em amor, e com beleza! Em vez de tentar ser o show do horário nobre da igreja, busquemos ser nobres em regime de 24 horas por dia. Apliquemo-nos à vocação e aos dons da maneira como Deus quer e como o povo precisa, com sabedoria, com diligência, transmitindo graça aos que nos ouvem! Umas lições de Bíblia, de teologia e de arte fariam que a "banda de cá" fosse coerente com a "banda de lá" e que proporcionassem o verdadeiro "louvor da glória de sua graça" (Efésios 1.12), tornando a igreja toda em um verdadeiro "espetáculo ao mundo, tanto a anjos, como a homens" (1Coríntios 4.9).

Wadislau Martins Gomes
a

domingo, novembro 06, 2011

O MOMENTO E A FOTO DE AMOR E ARTE

            (foto e comentário de Rev. Allen Porto)

Como um pai educa um filho?
O Rev. Tarcizio F. Carvalho faz isso trilhando caminhos com a pequena Joana. Às vezes pisando na água e em territórios inexplorados, às vezes supreendendo-se com a criança em face de novas cores, árvores, ou pássaros. Ele está ao lado na caminhada, de uma forma dizendo: "descubra! vá além!"; e de outra demonstrando: "estou aqui, logo ao seu lado".
Esta imagem me faz pensar sobre uma série de elementos da paternidade, não apenas do estrito ponto de vista familiar, mas ampliando para a família da fé, e me lembra ainda mais sobre como Deus nos acompanha em toda a vida. — with Tarcizio F. Carvalho at Praça Gonçalves Dias, São Luís, Maranhão.


Fiquei extremamente tocado ao ver a foto. Por duas razões: uma, repetindo meu filho, Davi Charles Gomes, “é a melhor foto que vi este ano”; outra é que os reflexos da beleza do amor no momento do encontro do pai e da filha com o artista proclamam a glória de Deus. Daí, quis “poemar” em forma de louvor:

O momento e a foto de amor e arte

A filha olha os reflexos surpresos
e o pai olha surpreso seus reflexos
de vida e de afetos, ambos presos
de círculos, de imagens e de nexos.
A filha reflete sobre luz e cores
que aos pés agita e que recria a vida;
cuidoso, o pai reflete sobre amores
agitados na alma refletida.
Os céus, as árvores e as pedras alvas,
calam palavras que o coração
ouve e reflete altas como salvas.
Paz de pós chuva que a vista coça
como um tremer de ninho e de oração
– de pai e filha chapinhando a poça.

Wadislau Martins Gomes