quinta-feira, abril 10, 2014

ACORDANDO PARA UMA SOLUÇÃO



 
Uma menina de onze anos acompanhou seu pai em visita pastoral à Santa Casa de Misericórdia de Goiânia, e mudou para sempre a vida de muita gente. Eu sabia que minha amiga Carol Ewing tinha duas irmãs adotadas, mas não conhecia a história, que ouvi semana passada pelo facebook, sobre como aconteceu há 57 anos.

Nina relata que, ao sair do hospital, seu pai viu um menino de uns dez anos com grande curativo no joelho, mancando, e seu pai ofereceu carona ao garoto. Chegando ao local, Nina e o pastor José Woody viram que essa família (pai, quatro crianças pequenas e minúsculas gêmeas, bebezinhos) moravam em casebre de pau a pique com alguns blocos de cimento, e cozinhavam sobre dois tijolos no chão de barro. A mãe morrera no parto e as gêmeas quase morriam de fome.

O missionário e a filha levaram comida a essa família em penúria (Nina acha que a Liga Juvenil ajudou a coletar alimentos) e a junta diaconal foi acionada, ajudando-os a mudar para uma casinha de adobe com telhado e porta. Um dia, quando Nina foi com seu pai para visitá-los, o viúvo estava à porta com as gêmeas nos braços e lágrimas nos olhos, e disse:

– Reverendo, leva essas meninas. Estão morrendo.

Nina levou as duas esquálidas meninas no colo, no carro, e foram direto para o hospital. Um médico as examinou, receitou medicamentos, e disse-lhes que não via muita esperança. Assim, eles as levaram para sua casa.
(O pobre pai e seus outros filhos, mais tarde, mudaram-se para a Fazenda Experimental, em que um presbítero arranjou-lhe emprego e escola para os filhos.)

Nina acha que sua família só cuidou delas por volta de uma semana. Da. Dina, sua mãe, tinha medo de deixá-las sozinhas porque estavam tão doentes que temia que morressem a qualquer instante.

Minha amiga Nina costumava visitar outra amiga americana, Carol Ewing, filha única, que uma vez lhe dissera que os pais queriam adotar uma filha, uma irmã para ela. Certa noite, enquanto as gêmeas estavam ainda na casa dos missionários Woody, Nina acordou às três da manhã com pensamento nítido: “Os Ewing adotarão essas menininhas." Acordou sua mãe e seu pai, e contou seu pensamento da madrugada. Nina lembra ouvir sua mãe dizer:

– Nina, não é tão simples assim.

A persistente Nina sabia que sua mãe estava acostumada com seus esquemas malucos. Contudo, no dia seguinte, sua mãe – relata Nina – foi visitar os Ewings,e... encurtando a longa história, eles adotaram as pequeninas, que hoje são Ruth e Betty, na casa dos 50 anos, irmãs de Carol Ewing McQuistan! Ambas retornaram ao Brazil para visitas anos atrás.

Descobri velhas amizades por meio das redes sociais, e a de Nina é uma das mais assíduas. Pensei em “blogar” sobre o rico tema bíblico de teologia e vida de adoção, assunto precioso que tenho visto na vida de amigos e parentes desde que me conheço por gente. Mas quando li a história contada por uma menina cristã que acompanhava e ajudava seus pais a viver aquilo em que cria, as lágrimas só pararam ao pensar em compartilhar com vocês. Só uma garota? É a maravilhosa, estrondosa misericórdia do Senhor dos Exércitos que entrou na nossa humanidade e pequenez. Obrigada Nina, Carol, Ruth e Betty, obrigada “dinossauros missionários do passado” – que aprendamos e os imitemos!
Elizabeth Gomes

2 comentários:

Eliana Pires disse...

Lendo Deleitando-se na Trindade de Michael Reeves,compreendo, esse é o Amor do Pai. E quando somo guiados pelo Espírito Santo nos refletimos um pouco D'Ele.Obrigada por partilhar.

slima disse...

É uma linda história de amor em ação Que o amor a Deus nos inspire a repeti-la tantas vezes quanto necessário. E tem sido tanto.